Dentro da Umbanda, Exu ocupa um papel essencial na organização espiritual e nos rituais da religião. Conhecido como guardião e mensageiro entre o mundo espiritual e o mundo material, ele é responsável por abrir caminhos, proteger os terreiros e auxiliar na resolução de problemas espirituais e materiais. Apesar dessa função, a entidade ainda enfrenta forte preconceito religioso e é frequentemente associada, de forma equivocada, ao demônio.
De acordo com o pesquisador e sacerdote umbandista Alexandre Cumino, estudioso das religiões afro-brasileiras, essa associação tem origem histórica. “Durante o processo de colonização e evangelização no Brasil, símbolos e entidades das religiões africanas foram demonizados pela Igreja para deslegitimar essas práticas religiosas”, explica. Segundo ele, esse processo acabou criando uma confusão entre Exu e a figura do diabo do cristianismo, algo que não existe na tradição afro-brasileira.
Dentro da organização espiritual da Umbanda, os Exus também se dividem em falanges, grupos de entidades que atuam sob determinadas vibrações espirituais. Entre as mais conhecidas estão linhas associadas a figuras como Exu Tranca-Ruas, Exu Marabô e Exu Tiriri, cada uma com características e formas de atuação específicas dentro do trabalho espiritual.
As oferendas também fazem parte da tradição religiosa e possuem forte simbolismo cultural e histórico. Em muitos terreiros, alimentos, bebidas, velas e outros elementos são oferecidos como forma de agradecimento ou fortalecimento energético das entidades. Algumas interpretações também relacionam essas práticas a episódios da história da escravidão no Brasil. Segundo relatos presentes na tradição oral das religiões afro-brasileiras, durante o período da escravidão pessoas escravizadas deixavam comida e bebida nas encruzilhadas para ajudar aqueles que haviam fugido das fazendas. A bebida ajudaria a aquecer o corpo e até auxiliar na limpeza de feridas, enquanto alimentos como farofa serviriam para alimentar quem estava em fuga. As velas eram deixadas junto para iluminar o local e permitir que essas pessoas encontrassem os alimentos durante a noite. Com o tempo, práticas de solidariedade e sobrevivência acabaram sendo incorporadas simbolicamente aos rituais religiosos.
Por: Emilly Geremias
Esta reportagem foi produzida na disciplina de Jornalismo Digital, do curso de Jornalismo da Univali, sob orientação do professor Vinicius Batista.