O projeto Praia Acessível, realizado pela Secretaria de Promoção da Cidadania da prefeitura de Itajaí, foi pensado com o objetivo de possibilitar o acesso de pessoas com pouca ou nenhuma mobilidade às praias da cidade durante a temporada. No entanto, Itajaí possui mais de cinco praias, das quais apenas a praia do Atalaia conta com a acessibilidade proposta pelo projeto.
Em dias de calor, Maria Júlia Xavier, de 80 anos, gosta de ir à praia. Gaúcha, natural da cidade de Rio Grande e acostumada com a praia do Cassino, onde é possível chegar à orla apenas de carro, a estrutura da Atalaia representa uma oportunidade rara de aproximação ao mar com maior autonomia, pois sua movimentação é reduzida, fazendo com que ela se locomova de cadeira de rodas.
Maria veio de férias com o marido para visitar a filha, Rosária, que é diarista e possui 54 anos. Rosária revela que a Praia da Atalaia não possui a sinalização adequada para o acesso de cadeirantes, porém, ela contou que ficou surpresa ao se deparar com o tapete instalado pela prefeitura para garantir a acessibilidade de cadeirantes à orla da praia do Atalaia.
Recentemente instalado, o tapete que facilita o acesso de cadeirantes à areia da praia consiste em placas de plástico interconectadas que formam um trilho, permitindo que cadeiras de rodas avancem até a orla sem ficarem presas na areia. O modelo de adaptação foi elogiado por Rosária: “Eu fico feliz porque ver um tapete desse, que nunca tem, é difícil. […] A cadeira dela, a rodinha é fina e não entra na areia, então é uma ótima solução.”
Rosária também destaca um ponto que pessoas sem dificuldade de locomoção nem sempre percebem: “Nos bairros mesmo, tem que andar no asfalto, porque na calçada não dá pra andar, não tem como descer. A calçada sobe e desce, sobe e desce. Tem muitos desníveis.”

No município, existe desde 2014 o Conselho Municipal dos Direitos da Pessoa com Deficiência (Comadefi), que representa de forma consultiva pessoas com deficiência (PCD) nas diretrizes de políticas públicas de inclusão da prefeitura. O formato deste conselho se adequa aos conselhos municipais de auxilio a políticas públicas espalhados por todo o Brasil, mas sua natureza jurídica de aconselhamento e não obrigatoriedade deixa essas demandas a depender da boa vontade do governo municipal da ocasião.
Claudinho, cadeirante de 53 anos, é presidente da Associação de Pessoas com Deficiência Física de Itajaí e Região (Apdefi), que reivindica a ampliação da acessibilidade em pontos turísticos da cidade, eventos e em repartições públicas. Ele lamenta que o projeto funcione apenas no verão, que não haja funcionários qualificados para auxiliar na iniciativa e que as pessoas que deveriam ser beneficiadas acabem sendo as mais prejudicadas.





