Cineastas, figurinistas, roteiristas, maquiadoras… essas e outras profissões são exercidas por mulheres no mundo do audiovisual, e estas mulheres representam, segundo uma pesquisa realizada em 2024 pelo Observatório Brasileiro do Cinema e Audiovisual (OCA), 58% de atuação na área de exibição, 54% na distribuição e 17% na direção de séries e filmes brasileiros. Porém, essa porcentagem não reflete a desigualdade existente nas funções, nos salários baixos e na falta de reconhecimento dos nomes femininos em meio aos créditos de longas e curtas metragens.
De acordo com o Anuário Estatístico do Audiovisual Brasileiro de 2024 elaborado pela Agência Nacional do Cinema (Ancine), a persistência da desigualdade no audiovisual é preocupante. É constatada desigualdade entre os sexos na remuneração média, com uma diferença de 11% entre os salários de homens em relação às mulheres no setor audiovisual em geral.
Sofia Froza, de 22 anos, é estudante de audiovisual na Universidade do Vale do Itajaí (Univali), além de atuar como vocalista da banda Daguerre, de rock alternativo, a qual conta com mais de 80 mil ouvintes mensais no Spotify. Ela começou a produzir suas próprias músicas durante a pandemia de Covid-19 em 2022, trabalhou na área e atuou numa produtora. Por gostar muito de videoclipes e de cinema, optou por iniciar no curso. Entretanto, mesmo sendo apenas aluna, revelou que já sente na pele as inseguranças do mercado.
Mesmo sendo cantora e a pessoa da banda com mais vivência no meio musical, ela revelou que muitas vezes não é levada a sério, nem vista como alguém que pode tratar dos negócios. “E muitas vezes eu deixei de ser ouvida, mesmo tendo mais experiência, por eles acharem que não sou eu a pessoa certa para falar disso”.
Sofia relembrou que no Oscar, que aconteceu no dia 8 de março de 2026, o evento celebrou, pela primeira vez em seus 96 anos de existência, uma ganhadora mulher na categoria de melhor fotografia. A vencedora foi Autumn Durald Arkapaw, pelo filme Pecadores. Outro acontecimento inédito desta edição do Oscar foi a compositora Diane Warren, que obteve o maior recorde de derrotas na história do evento, acumulando 17 indicações na categoria de Melhor Canção Original sem vencer nenhuma.

“Em casos que as mulheres são diretoras de algum filme, ou têm a frente, são em realities de beleza, de vestido. Isso tudo é relacionado ao que é padrão para a mulher. Dentro de um estereótipo”, disse Sofia.
Na sala de aula, a estudante observa grande diversidade entre alunos e alunas, mas isso não se reflete nos professores. Hoje, dos seis professores que teve até o momento durante o curso, apenas uma é mulher, sendo essa a única entre os seis que abordou trabalhos realizados por mulheres no audiovisual.
Das leis de incentivo a projetos que promovem a inclusão, Sofia citou a lei Rouanet e a lei Paulo Gustavo. A primeira lei é o principal mecanismo federal de fomento à cultura no Brasil, permitindo que pessoas físicas e empresas destinem parte do seu Imposto de Renda (IR) para financiar projetos culturais aprovados pelo Ministério da Cultura, e a segunda lei destina R$ 3,86 bilhões a estados e municípios com o objetivo de fomentar o setor cultural.
Denise Jorge Serafini, graduada em Comunicação Social pela Universidade de Passo Fundo e atualmente professora de Audiovisual da Univali, comentou que na região do Vale do Itajaí existem possibilidades para as áreas de publicidade, evento e cinema autoral crescerem, porém, os desafios não escapam de Santa Catarina. “Acho que para todas as áreas têm possibilidade. Tem muita gente querendo fazer, sim, cinema autoral, mas também tem as dificuldades por causa das políticas públicas, que não têm recursos suficientes para poder atender a toda demanda”.
A professora explicou que, sem os recursos públicos, torna-se muito difícil para a própria sociedade apoiar um projeto feito por mulheres, e comentou que ela enxerga oportunidades em festivais e eventos como um grande momento, pois considera esses espaços necessários para o desenvolvimento do movimento das mulheres dentro do audiovisual.




