Caminhar pelas avenidas de Itajaí com um papel de bala nas mãos tornou-se um teste de paciência. O que deveria ser um serviço básico de zeladoria urbana, transformou-se em um jogo de “esconde-esconde” em que, mesmo quando encontrada, a lixeira muitas vezes está sem fundo, sem saco plástico ou caída no chão por erro de manejo. A conta oficial de 200 unidades, segundo dados da empresa Ambiental, responsável pela gestão dos resíduos no município, estagnada e sem previsão de ampliação, já não parece dar conta de uma cidade que cresce.

Segundo Marli Mislene, representante da concessionária, Itajaí possui exatamente 200 lixeiras instaladas pela cidade. Para a empresa, o serviço está dentro da normalidade. “Não tem previsão de colocar mais lixeiras na cidade, pois o exigido são 200”, afirma Marli. Esse limite numérico cria uma barreira. Enquanto a cidade se expande e o fluxo de pessoas e turistas aumenta nas principais avenidas, o mobiliário urbano permanece congelado.
Segundo os registros da concessionária, a colocação de novas unidades está estritamente vinculada a cronogramas de manutenção e à expansão contratual entre a prefeitura e a empresa, o que limita a agilidade de resposta ao crescimento acelerado da cidade. Nelson Silva de Oliveira, também representante da Ambiental, detalha que a escolha dos locais não é aleatória. Segundo ele, a instalação de novos conjuntos segue critérios rígidos. “Baseiam-se no fluxo de pedestres, proximidade de paradas de ônibus e locais com maior geração de resíduos descartáveis”, explica.
Nelson pontua que a empresa realiza um mapeamento constante através de vistorias técnicas e análise de reclamações via ouvidoria, priorizando os centros urbanos e avenidas principais. Para ele, o processo indica que o município está renovando a frota para atender pontos estratégicos, como a orla e os eixos comerciais dos bairros, buscando equilibrar a demanda técnica com o contrato vigente.
Para quem está atrás do balcão e vê o movimento das calçadas diariamente, a situação é mais crítica do que os relatórios sugerem. Mayara Zaffane, vendedora em uma loja de calçados, relata que a manutenção falha é o principal vilão. “ A maioria das unidades está próxima a pontos de ônibus ou faixas de pedestres, mas estão quebradas. Às vezes falta sacos plásticos ou a lixeira está jogada no chão”, denuncia a vendedora. Segundo ela, o problema se agrava até o momento da coleta: “Na hora de recolherem o lixo, acabam não encaixando direto, elas caem e fica tudo jogado no chão”. O resultado é uma poluição visual e ambiental que afeta diretamente o comércio e a experiência de quem transita pela região.

O secretário da Secretaria de Obras de Itajaí, Leandro Serafim, rebate as críticas apontando para um problema crônico: o vandalismo. “O maior desafio hoje é a depredação do patrimônio público, com furtos de peças de metais que compõem o suporte. É fácil identificar lixeiras abertas e fora de alinhamento por causa destes furtos”, explica. A gestão do Prefeito Robison Coelho afirma ter feito investimentos em novas aquisições desde 2025 e reforçado o número de contentores em polos comerciais como a Rua Hercílio Luz e Estefano José Vanolli. Porém, a prefeitura joga luz sobre outro ponto: a responsabilidade dividida. “É dever do comerciante também disponibilizar equipamentos de descarte aos seus clientes, acomodando seu lixo de forma correta e segura”, pontua Leandro.
A visão de que a solução não é unilateral ganha eco nos manuais da concessionária. Para a Ambiental, enquanto o poder público responde pela execução e fiscalização, a população detém o papel crucial do descarte correto e da redução de resíduos. O impasse em Itajaí, portanto, vai além do metal furtado ou do contrato estagnado, residindo na dificuldade de alinhar a eficiência da máquina pública com o zelo de quem habita a cidade.





