O acesso à escola avançou no Brasil assim como o nível de escolaridade da população. Entretanto, ainda é preciso vencer alguns desafios como a desigualdade escolar, que ficou mais evidente com a aula remota. Em uma análise feita pela Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), em parceria com Todos pela Educação e Itaú Social, é possível ver as lacunas geradas pela desigualdade e a OCDE faz um alerta à situação.
O relatório soma um total de três documentos com mais de 400 páginas. Neles são citadas políticas públicas implementadas no ensino ao longo do tempo, os avanços na educação, comparações com administrações adotadas em outros países e recomendações de melhorias em diversas áreas. Segundo esse relatório, a pandemia aumentou a recessão econômica e atingiu, principalmente, a população mais vulnerável.
Os estudos mostram como está a desigualdade no país:
- Acesso ao ensino médio: Em 2018, cerca de 60% da população negra ou parda tinha concluído ao menos o ensino médio. Para a população branca, o índice chegava a 76%;
- Acesso ao ensino superior: Dos brancos com idade entre 18 e 24 anos, 36% estavam na universidade ou já haviam concluído. Entre negros e pardo, o índice era de 18%;
- Exclusão: No ano de 2019, quase 25% de negros e pardos, com idades entre 18 a 24 anos, não estudavam nem trabalhavam. O índice era de 17% para brancos;
- Abandono escolar e mercado de trabalho: De acordo com a OCDE, os dados revelam que a desigualdade leva negros e pardos a deixarem a escola para trabalhar.
A Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico também destaca políticas para diminuir a desigualdade, entre elas está o Bolsa Família. Ele oferece um pagamento mensal às famílias de baixa renda que mantiverem seus filhos matriculados nas escolas. Outro destaque é o Programa Universidade para Todos (Prouni), que já ofertou cerca de 2,5 milhões de bolsas de estudos para estudantes carentes.
Entre outras ações para diminuir a desigualdade nas escolas, a OCDE também cita:
- Investir em educação infantil: Para a OCDE, os investimentos devem ser voltados à população mais carente. Dados do Governo Federal revelam que, em 2020, apenas 26% das crianças entre 0 e 3 anos com baixa renda estavam matriculadas em creches. Na população mais rica, o índice chegava a 51%.
- Evitar a reprovação: A reprovação gera efeitos indesejáveis e não garantem a aprendizagem. Além disso, geram altos custos para manter o aluno retido na série e diminuem a motivação e engajamento do estudante, incentivando o abandono.
- Manter a política de cotas: Implantado em 2012 como medida provisória, a política de cota prevê a destinação de vagas para estudantes de escola pública ou autodeclarados pretos, pardos e indígenas. A OCDE defende o uso e a permanência dessa política, acompanhada por programas de assistência financeira e diversidade.





