Comportamento de crianças e adolescentes mudou com a pandemia

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Uma pesquisa feita pelo Datafolha, a pedido da Fundação Lemann e Instituto Natura, trouxe a perspectiva de como estão as crianças e adolescentes enquanto as escolas estão fechadas. O estudo revelou mudanças de comportamento, principalmente entre as meninas. Algumas das mais perceptíveis foram as mudanças no aumento de peso, dormirem mais, ficar mais tristes, mais quietas, mais nervosas e com mais medo que os meninos.

Segundo pais e responsáveis, 94% das crianças ou adolescentes tiveram alguma mudança de comportamento durante a pandemia. Das mudanças notadas, a maioria foi o ganho de peso (56%), seguido por estarem mais tristes (44%), ter mais medo (38%) e perder o interesse na escola (34%). Outras queixas relatadas, principalmente entre os que ficam sozinhos em casa, foi a de dormir mais, ficar mais quietos ou ter dificuldades para dormir.

A pesquisa ouviu um pouco mais de 1.300 responsáveis por mais de 2.100 crianças e adolescentes, entre 4 a 18 anos, matriculados na rede pública de ensino ou fora da escola. Dos entrevistados entre 10 e 15 anos, 75% disseram ter saudades das aulas presenciais ou de algum professor e 60% sentem falta do convívio com amigos.

A pandemia impactou também a insegurança na alimentação. Das famílias ouvidas, 34% afirma que a quantidade de alimento foi menos que o suficiente. Aqui, assim como em outros parâmetros brasileiro, a desigualdade é grande. Enquanto no Nordeste 46% das famílias relatam insuficiência alimentar, no Sul a porcentagem cai para 18%. Dentre os relatos de falta de alimentos, 63% são de pretos e pardos, 63% das famílias ganham até um salário mínimo e 66% afirmaram que alguém dentro de casa perdeu emprego na pandemia. O estudo revelou também que as refeições das crianças e adolescentes eram melhores antes da pandemia.

O Datafolha mostrou que apenas 3% das crianças e adolescentes não estão matriculados na escola. Desses jovens, 32% não estão na escola por conta da pandemia e outros 32% afirmaram não ter vaga na rede pública de ensino. Mais da metade das crianças fora da escola tem idade entre 4 e 6 anos.

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