Chegou a hora de ter mais planejamento em suas compras e desviar dos altos valores dessa época nas prateleiras. A Páscoa de 2026 bateu recordes de preços nas prateleiras dos supermercados e lojas de doces por todo o Brasil. Neste ano, os reajustes são expressivos. Chocolates e ovos de Páscoa apresentam altas que variam entre 26% e 37% em relação ao ano anterior. A principal causa está na crise global na produção do cacau, com quebras de safra em países africanos, o que elevou o custo da matéria-prima.
Aqui na região do Vale do Itajaí não foi diferente. Segundo o fiscal de Relação de Consumo do Procon de Itajaí, Francisco Johannsen, todos os tipos de chocolate analisados neste ano registraram aumento no preço. Entre os produtos pesquisados, a barra de chocolate foi a que mais pesou no bolso dos consumidores.
Diferente do que muita gente imagina, não existe um controle direto sobre os valores aplicados no período. “No Brasil se pratica o livre comércio, portanto não há qualquer forma de tabelamento de preços, ficando o fornecedor livre para formular seu preço de venda”, explica Johannsen.
Diante disso, a principal orientação do Procon é a pesquisa de preços. O órgão chama atenção para outro detalhe que costuma passar despercebido: a mudança no peso dos produtos. Segundo Johannsen, algumas embalagens tiveram alteração de gramatura de um ano para o outro, e essa informação precisa estar indicada de forma clara ao consumidor.

Outro cuidado importante é com os ovos que vêm com brinquedos. Nestes casos, a recomendação é verificar a faixa etária indicada na embalagem, para evitar riscos às crianças.
Preço alto muda hábito de consumo
O aumento no valor dos chocolates alterou o comportamento de muitas famílias. A auxiliar administrativa Ana Paula Ribeiro dos Santos, de 42 anos, percebeu isso na prática na hora de comprar para os filhos, Enzo, de 8 anos, e Gabriela, de 6.
“Impacta bastante, porque a gente precisa se planejar com mais antecedência. Antes eu conseguia comprar ovos para toda a família sem pensar tanto, mas hoje já não é mais assim. Preciso quase garimpar nas lojas para achar valores mais razoáveis e, muitas vezes, acabo reduzindo a quantidade ou escolhendo opções menores”.
Mesmo com os preços mais altos, ela tenta manter a tradição para as crianças. “Eu ainda acho que vale a pena comprar ovos de Páscoa, principalmente pela experiência de abrir e pela lembrancinha, mas tenho buscado alternativas mais econômicas para não pesar tanto no bolso”.
Já o vigilante Darlei Fagundes de Almeida, de 54 anos, diz que os ovos tradicionais deixaram de fazer parte da compra da família. Pai de Felipe, 14, Gabriel, 12, e Pedro, 15, ele passou a apostar em produtos mais baratos.
“O impacto é grande. Hoje tudo está mais caro e a gente precisa escolher bem onde gastar. Até a pandemia eu comprava ovos para os meninos, mas depois, com o aumento dos valores do chocolate, paramos de comprar”.
Para não deixar a data passar em branco, a saída tem sido buscar custo-benefício. “Prefiro comprar alternativas mais baratas, como barras de chocolate e bombons. O importante é não deixar a data em branco”.
Busca por alternativas cresce
Quem trabalha com a venda desses produtos também percebe a mudança. Segundo o comerciante Ligger Schmidt, os ovos tradicionais seguem com procura, mas houve crescimento na busca por opções mais acessíveis.
“Os preços tiveram aumento em relação ao ano passado, principalmente por conta do custo do chocolate e da produção. Mesmo assim, a gente tenta oferecer opções em diferentes faixas de preço”.
Segundo ele, barras e caixas de bombom estão saindo bastante nesta Páscoa, principalmente entre quem prioriza quantidade e economia.
No fim das contas, a tradição continua, mas o consumidor de 2026 está mais atento ao bolso. E, neste cenário, pesquisar antes de comprar virou quase tão importante quanto escolher o chocolate.





