Dia Nacional do Circo: conheça a história de inspiração do Circo Teatro Biriba

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Há 56 anos, companhia catarinense leva arte circense a famílias em situação de vulnerabilidade social

Durante 56 anos, o Circo Teatro Biriba se dedicou a levar a cultura circense para centenas de famílias do Sul do Brasil. Em alusão ao Dia Nacional do Circo, comemorado em 27 de março, histórias como a do Biriba lembram o quanto essa arte transforma a sociedade.

O circo Birinha surgiu em 1970, durante o período da ditadura militar no Brasil. A família de Geraldo Passos inaugurou o Teatro Biriba, na cidade de Tangará, no Meio-Oeste Catarinense. Impedido de atuar livremente em outras companhias devido ao preconceito, Geraldo decidiu criar o próprio circo como forma de garantir seu espaço na arte. Em um pavilhão desmontável, o grupo percorreu aproximadamente 40 cidades do Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, como Joaçaba, Capinzal, Videira e Concórdia, ao levar música, dança e humor para famílias com acesso limitado à cultura.

“A gente cresceu em um universo de muito preconceito, tanto com o artista circense quanto com o artista negro. O meu avô precisou, muitas vezes, encontrar formas de driblar o sistema da época para conseguir trabalhar e manter o circo funcionando”, relata a neta de Geraldo (Biriba) e coordenadora do Teatro, Janayna Passos.

Geraldo era conhecido entre a comunidade por interpretar o palhaço Biriba, que ganhou o carinho das famílias por sua autenticidade e carisma. Ele comandava todos os espetáculos que foram os mais procurados nas décadas de 60 e 70. Em 1991, após um AVC, o teatro sofreu a perda do palhaço Biriba, que passou a tradição para o filho, e ganhou o nome de Biribinha. Posteriormente, passou a tradição ao neto.

Em 2019, o circo completou 19 anos em Santa Catarina e recebeu a Comenda do Mérito Cultural Cruz e Sousa, um prêmio que honra personalidades e instituições catarinenses que contribuem significativamente para a arte, concedido pela Fundação Cultural Catarinense (FCC).

Atualmente, o Circo Biribinha fica localizado na cidade de Tijucas, realizando apresentações semanais, que podem ser vistas ao vivo e on-line pelo site do teatro, biribashow.com. Os espetáculos são comédia e drama, e toda edição conta com uma história diferente interpretada pela equipe de cerca de 14 artistas.

“Hoje, o circo concorre com muitas outras formas de entretenimento. Muitas vezes, ele acaba ficando como última opção, primeiro vem o celular, depois a televisão, as séries, o cinema, o teatro e só depois o circo”, destacou Janayna.

A coordenadora ainda relata as dificuldades financeiras enfrentadas e afirma que continua buscando formas de atrair público.

“É esse processo de integração que nos permite somar e atender diferentes perfis, buscando manter as temporadas sustentáveis, ao menos para cobrir os custos”, completa.

Circo Patrimônio Cultural Brasileiro

Após 21 anos da abertura do processo, o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) declarou em reunião no Palácio Gustavo Capanema, no centro do Rio de Janeiro, o Circo de Tradição Familiar como patrimônio cultural brasileiro, devido à união de características como expressão cultural, transmissão de conhecimento, integração com a comunidade, singularidade e originalidade.

“Isso nos coloca em um lugar de salvaguarda, mostrando que o que fazemos é uma memória que precisa ser preservada e registrada. Por meio de uma trajetória de mais de 55 anos, marcada também por desafios, como o preconceito enfrentado ao longo do tempo. Ainda assim, se não fizermos algo, o circo pode acabar”, adiciona Janayna

O título de Patrimônio Cultural simboliza e valoriza o modo de vida de diversas famílias circenses, protegendo suas tradições e garantindo a preservação das práticas para as futuras gerações. Além disso, a valorização política contribui para a expansão da arte circense como parte importante da cultura brasileira.

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