“Devolver a paz”: a investigação por trás do caso Isabela Borc

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Entre pressão e busca por respostas, polícia desvenda caso que terminou com a morte de adolescente de 17 anos

“Minha missão era devolver a paz para aquela mãe”, assim relata o Delegado de Polícia Civil (PCSC), Roney Péricles, sobre seu propósito ao assumir o caso do desaparecimento de Isabela Miranda Borck, uma adolescente de 17 anos encontrada morta posteriormente. Isabela desapareceu no dia 30 de novembro de 2025, em Itajaí, Litoral Norte de Santa Catarina. O caso, inicialmente, era um desaparecimento sem pistas concretas e expôs detalhes complexos ao longo das investigações. O corpo da jovem foi localizado 45 dias depois, em 16 de janeiro de 2026, em uma área de mata no município de Caraá, no Rio Grande do Sul. O principal suspeito é o próprio pai, um homem de 53 anos, condenado por estupro contra a filha uma semana antes do ocorrido.

A investigação aponta que o assassinato ocorreu ainda em Itajaí, cidade onde Isabela morava com a mãe. A conclusão da Polícia Civil de Santa Catarina contraria a versão apresentada pelo acusado, que nega o homicídio e afirma que a morte teria sido causada por um acidente, após uma suposta queda em uma vala.

O caso começou a ser apurado pela Delegacia de Proteção à Criança, ao Adolescente, à Mulher e ao Idoso (DPCAMI) e, posteriormente, passou a ser conduzido pela Delegacia de Homicídios de Itajaí, vinculada à Divisão de Investigação Criminal (DIC), quando o corpo da adolescente ainda estava desaparecido. Ao assumir a investigação, o Delegado Titular da Delegacia de Homicídio de Itajaí, Roney Péricles, encontrou um cenário sem respostas claras e com poucas evidências.

“Quando eu assumi o caso, eu tinha uma estratégia muito clara. Referente às provas do ocorrido, não tínhamos nada muito claro, o que tínhamos era um desaparecimento. Não tínhamos nenhuma imagem da menina sendo retirada de casa. O pai dela estava preso no Mato Grosso do Sul, então eu decidi ir com minha equipe até lá”, explica Roney, em coletiva exclusiva para alunos de Jornalismo da Universidade do Vale do Itajaí.

Naquele momento, o suspeito estava preso no Mato Grosso do Sul. A decisão da equipe foi realizar o recambiamento por conta própria, ao trazer o homem até Santa Catarina. A transferência buscava abrir espaço para o diálogo e obter informações que levassem ao paradeiro de Isabela.

Durante a viagem entre a Penitenciária de Dois Irmãos do Buriti (MS) e o presídio da Canhanduba, em Itajaí, a equipe responsável pelo caso conversou com o suspeito. Foi nesse trajeto que o homem indicou onde estaria o corpo da filha, embora tenha apresentado uma versão considerada contrária ao resultado da investigação.
“O suspeito apresentou uma versão que não é a versão verdadeira. No caderno do inquérito, apresenta que essa versão não se justifica pelos detalhes da investigação”, continua o delegado.

Além da busca por informações,o tempo era um fator que pressionava os policiais. A prisão temporária do suspeito estava próxima do fim, o que poderia resultar na soltura caso não houvesse elementos suficientes para convertê-la em uma prisão preventiva. “A gente tinha uma prisão temporária. Essa prisão é muito frágil. Ou acaba e consegue-se uma prisão preventiva, ou a pessoa é solta. O desafio era que o tempo da prisão temporária estava acabando”, completa Roney.

Após a chegada em Itajaí, os investigadores seguiram até o Rio Grande do Sul. Em uma área de mata, encontraram o corpo de Isabela em uma vala, coberto por lona e pedras, já em avançado estado de decomposição em razão da ação do tempo e da vegetação. Com a localização do corpo e o avanço das apurações, o suspeito se tornou réu em um processo criminal. A denúncia do Ministério Público, protocolada em fevereiro, inclui os crimes de sequestro qualificado, feminicídio majorado e ocultação de cadáver. O caso foi encaminhado ao Tribunal de Justiça de Santa Catarina, onde seguirá para julgamento.

Mesmo diante de um desfecho distante do esperado, que era encontrar a vítima com vida, a investigação cumpriu um papel essencial, dar respostas à família. Para a mãe de Isabela, a conclusão do caso representou a possibilidade de despedida e de algum tipo de encerramento após a dor silenciosa do desaparecimento. Nas redes sociais, após o desfecho do caso, o delegado expressou: “Quando o caso finalmente foi desvendado, não houve comemoração, houve silêncio. Um silêncio carregado de emoção (…) Pois além de policiais, somos seres humanos (…) A única válvula de escape é ter a possibilidade de devolver àquela família, amigos (as) e a sociedade em geral algo que foi tirado: a verdade”

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