Campanha de vacinação contra a gripe começa e mira também no combate à desinformação

Foto: Kássia Dalmagro / Divulgação PMBC

Mais de mil pessoas foram imunizadas contra a gripe durante o Dia D da vacinação em Balneário Camboriú. Ao todo, 1.176 doses contra a Influenza foram aplicadas no último sábado (28). A mobilização fez parte da campanha nacional de vacinação e teve como objetivo ampliar a cobertura vacinal entre os grupos prioritários, além de atualizar outras vacinas previstas no calendário nacional.

Desde o início da vacinação, na quinta-feira (26), já foram aplicadas mais de 1.960 doses. A imunização continua disponível durante a semana em todas as UBSs com sala de vacina, além de unidades com horário estendido.

Segundo a Secretaria de Saúde, a vacina contra a Influenza é destinada prioritariamente para crianças de seis meses a cinco anos, gestantes e idosos a partir de 60 anos, além de outros grupos prioritários definidos pelo Ministério da Saúde. O imunizante é gratuito e tem papel fundamental na redução de casos graves, internações e óbitos causados pela doença.

Desinformação e medo ainda impactam a vacinação no Brasil

Pelo menos um a cada cinco brasileiros afirma já ter sentido medo de se vacinar ou desistiu de tomar a vacina após ler uma notícia negativa em plataformas digitais. Em estudo realizado pelo Conselho Nacional do Ministério Público, em conjunto com a Universidade Santo Amaro (Unisa), foi apontado que o que mais motiva esse temor é o medo e a desinformação que impacta a percepção da população brasileira quanto à segurança e eficácia das vacinas.

Esse dado é evidenciado quando analisa-se os diversos mitos e crenças sobre a vacinação. Entre elas, está a convicção de que pessoas saudáveis não precisam tomar a vacina contra a gripe, que foi desmentida pela Diretora de Vigilância Epidemiológica da Secretaria de Saúde de Balneário Camboriú, Adriana Ribeiro, em entrevista para o Jornal Cobaia

A diretora afirma que a crença é um mito, já que a gripe é uma infecção viral que, assim como qualquer doença não tratada, pode se tornar algo grave e oferecer risco à saúde. Para ela, a vacinação ajuda a diminuir a circulação do vírus, sendo um ato de cuidado coletivo e uma questão de saúde pública. 

Adriana ainda reforça: “Estar exposto ao frio ou tomar chuva, por exemplo, não causa a gripe, que é provocada por vírus. No entanto, a queda da imunidade pode facilitar a infecção. Além disso, há diferença entre gripe e resfriado, pois a gripe costuma apresentar sintomas mais intensos, como febre alta, dores no corpo e cansaço, enquanto o resfriado é mais leve e restrito às vias respiratórias superiores.”

Também não é correto afirmar que a vacina contra a gripe causa a doença. Segundo a Diretora de Epidemiologia, os imunizantes são produzidos com vírus inativados, incapazes de provocar infecção. Em alguns casos, sintomas leves após a vacinação podem ocorrer, geralmente relacionados a infecções já incubadas anteriormente.

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) definiu quais cepas – tipos de vírus – deverão compor as vacinas contra influenza, que serão utilizadas no Brasil em 2026. A atualização anual é necessária diante das mutações frequentes sofridas pelo vírus, e por isso, a Organização Mundial da Saúde (OMS) monitora constantemente os subtipos em circulação para orientar a formulação mais eficaz dos imunizantes.

A publicação do estudo desenvolvido pela Unisa é fruto do termo de adesão ao Pacto Nacional pela Consciência Vacinal e foi desenvolvida em parceria com o Instituto de Pesquisas Sociais, Políticas e Econômicas (Ipespe). O levantamento ouviu três mil pessoas em todas as regiões do país, entre os dias 29 de janeiro e 19 de fevereiro de 2024, com o objetivo de identificar percepções, desafios e oportunidades para ampliar a adesão às vacinas do Programa Nacional de Imunizações (PNI).

Os dados mostram que, apesar da influência das notícias negativas, muitos dos brasileiros ainda confiam nas vacinas: 72% dos entrevistados afirmaram confiar nos imunizantes, e 90% os consideram importantes para a saúde individual e coletiva. No entanto, os índices de confiança são menores entre pessoas com escolaridade até o ensino fundamental (67%) e renda de até dois salários-mínimos (65%). 

O levantamento também aponta que 27% dos entrevistados já sentiram medo de se vacinar ou de levar crianças e adolescentes para a imunização. Entre esse grupo, 66% relataram receio de efeitos colaterais graves. Ainda assim, 51% consideram as vacinas muito seguras e 58% as classificam como muito eficazes na prevenção de doenças. Para 64% dos participantes, os benefícios são altos, enquanto 43% avaliaram como médio o risco de reações.

O impacto da pandemia de Covid-19 também aparece na pesquisa: 39% disseram que passaram a confiar mais na ciência e nas vacinas após o período, enquanto mais da metade afirmaram ter aumentado a frequência de vacinação própria e dos filhos. Metade dos entrevistados acredita que os brasileiros têm se vacinado mais nos últimos dez anos.

Telejornais, médicos, sites, portais de internet e profissionais de saúde das Unidades Básicas de Saúde (UBSs) são considerados pelos respondentes os meios mais confiáveis para obter informações sobre vacinação.

Criado em 2022, o Pacto Nacional pela Consciência Vacinal busca retomar níveis seguros de cobertura vacinal no país após as quedas registradas nos últimos anos. A iniciativa reúne mais de 170 instituições públicas e privadas, além de governos de 18 estados, com foco na conscientização da população sobre a importância da imunização.

Diante do cenário, especialistas destacam que ampliar o acesso à informação de qualidade e combater fake news são estratégias essenciais para fortalecer a confiança da população e garantir a proteção coletiva por meio da vacinação.

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