Testemunhas das aparições destacam contato e motivos pelos quais 'aliens' não aparecem com frequência para humanos
por: Vitor Souza e João Krieger
por: Vitor Souza e João Krieger
Na luz do sol de um dia comum em 1952, moradores da Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro, foram surpreendidos por algo incomum: um objeto metálico pairando silenciosamente no céu. Nove fotos foram registradas. Eram imagens que, mais tarde, seriam conhecidas como o marco inicial da ufologia no Brasil. A partir daquele instante, os céus do país deixaram de ser apenas cenário para aviões comerciais e tornaram-se palco de uma das maiores curiosidades da humanidade: os objetos voadores não identificados (ovnis).
Impulsionado pela imprensa, por relatos de pilotos civis e militares e pela própria atuação da Força Aérea Brasileira (FAB), o tema passou a ocupar espaço nas manchetes e na imaginação popular ainda naquela década.
Anos depois, no natal de 1982, Steven Spielberg trouxe às telas do cinema a história de um alienígena perdido na Terra que cria uma forte amizade com um garoto. Um fenômeno de bilheterias, o filme mostrou a grande massa dessa cultura. Um interesse que atingiria seu ápice em 1986, durante o episódio que entraria para a história como a “Noite Oficial dos OVNIs”: 21 objetos não identificados detectados nos radares civis e militares, perseguidos por sete caças da FAB em pleno espaço aéreo brasileiro.
Já em 1996, o “Caso Varginha” colocaria novamente o Brasil nos holofotes da ufologia mundial. Relatos de criaturas estranhas, mobilização de bombeiros e supostos agentes do exército reforçaram a sensação de que algo fora do comum pairava sobre nossas cidades — e nossas certezas. Com a implementação da Lei de Acesso à Informação, em 2012, novos documentos e registros vieram à tona. Páginas antes classificadas agora revelam detalhes de avistamentos, investigações militares e depoimentos que mantêm vivo o interesse pelos mistérios do universo.
Esta reportagem mergulha nos principais episódios da história da ufologia brasileira — e nos convida a olhar para o céu com os mesmos olhos de curiosidade e espanto que, em 1952, se voltaram para aquele objeto desconhecido na Barra da Tijuca. A reportagem conversou com três pessoas que dizem ter tido experiências com ovnis e extraterrestres em Brusque e região. “Histórias de outro mundo: os relatos de quem esteve frente a frente com o desconhecido” traz uma linha do tempo entre os relatos e seus mistérios.
Era o Dia dos Pais em 14 de agosto de 1994, quando Valmor Cegala, na época com 42 anos, estava com os filhos pequenos em sua casa em Florianópolis. Por volta das 23h, todos foram dormir.
Cerca de meia hora depois, ele ouviu um som de flauta vindo da sala. Ele chegou a pensar que fosse algum vizinho e, com o filho mais novo ao lado na cama, puxou a coberta até os seus ouvidos para que a criança não acordasse. O som era como se fosse um canto de um pássaro.
Quando o barulho se tornou insuportável, ele iria levantar para ver o que era, mas, antes mesmo de executar qualquer movimento, um ser apareceu em sua frente no quarto. A criatura tinha um semblante cordial, roupas e tocava a flauta sem parar.
A principal preocupação dele era com os filhos. Após alguns segundos de ver o ser em sua frente, ele quis levantar novamente. Desta vez, seu corpo paralisou e ele começou a levitar. Valmor conta que foi levado ao espaço pelo ser. De lá ele conseguia ver toda a ilha de Florianópolis.
Um tempo depois, ele voltou para o quarto. Nos meses seguintes, por 14 domingos seguidos, sempre às 23h30, ele teria encontros com o mesmo ser e depois, com outros.
Entre eles, um ser loiro, alto, que flutuava dentro de uma bolha energética e se comunicava em português sem mover os lábios. Segundo esse ser, um contato massivo com a humanidade ainda causaria o colapso da civilização: “vocês, terráqueos, ainda não estão preparados”.
“Eu tive essa experiência de ficar fora do corpo, então eu sei que, no dia que eu morrer, a minha vida continua”
Valmor Cegala
A experiência mudou completamente a vida de Valmor. Farmacêutico por formação, ele soube do assunto quando um amigo emprestou o livro Eram os Deuses Astronautas?, de Erich von Däniken. Na época ele tinha seus 20 anos.
A obra teoriza a possibilidade de as antigas civilizações terrestres serem resultados de alienígenas que para as épocas relatadas teriam se deslocado.
Porém, ele entrou no mundo da ufologia por curiosidade nos anos 1990, ao participar de grupos de estudo e congressos. Mas foi só após os encontros com os seres, que ele afirma terem sido fora do corpo físico, que passou a compreender a dimensão espiritual e cósmica do que vivia.
Com o tempo, e após décadas de silêncio por medo do julgamento alheio, Valmor decidiu contar tudo no livro Um ET em Minha Casa. Hoje, aposentado e morando em Brusque, diz não ter dúvidas sobre a existência desses seres e sobre o papel deles no destino da humanidade.
Era fim de tarde de um sábado de 1999 quando o adolescente Eder Czinvinsky teve sua primeira experiência com ovnis. Apaixonado por música desde sempre, naquele dia ele estava trabalhando como operador de som para uma banda que iria tocar no salão da Igreja Matriz de Guabiruba.
Depois de instalar os equipamentos e fazer a passagem de som, Eder, o cunhado e mais quatro amigos sentaram na escadaria da igreja e ficaram jogando conversa fora, esperando dar o horário do show. De repente, Jefferson, o guitarrista da banda, olhou para o céu e viu três caças da Força Aérea em alta velocidade.
Segundo os amigos, Jefferson era considerado o mais doido da galera. Inclusive, na época, ele era antenado em assuntos de ufologia e sempre lia a revista UFO. Logo que falou sobre as aeronaves, todos olharam para cima para ver a dança dos caças. Nisso, perceberam que eles estavam perseguindo outro objeto, como um gato indo atrás de um rato.
Poucos segundos depois, o objeto — ovalado e prateado — parou e ficou esperando os jatos. Quando eles se aproximaram, o objeto acelerou no céu e despistou as aeronaves. Esse movimento se repetiu várias vezes.
“A gente ficou ali embasbacado com a situação, olhando aquilo sem acreditar. Quem diria que um dia a gente iria avistar uma perseguição de jatos a um ovni”.
Por fim, o ovni esperou, pela última vez, os jatos se aproximaram e, então, sumiu em alta velocidade. As aeronaves ainda sobrevoaram o céu, em velocidade reduzida, mas não encontraram mais o objeto.
“Quase 30 anos depois, nos encontramos e conversamos sobre essa experiência louca. Fomos feitos de bobos por um ovni”.
A experiência foi transformadora para Eder, que não acreditava em assuntos de ufologia. Sempre ouvindo histórias dos moradores, ele desenvolveu medo da aparição de extraterrestres, mesmo tendo lido algumas vezes a UFO sem acreditar.
O avistamento mudou sua mentalidade, e ele passou a acreditar que o ser humano não está sozinho no universo. Depois disso, também passou a considerar outras teorias, como a viagem no tempo.
Em uma tarde de 2010, o professor Mayckon Pereira estava em casa com a família, em São João Batista, quando teve uma experiência que o marcou por anos. A casa dele fica próxima de um morro de aproximadamente 30 metros de altura e, no topo do morro, avistaram um ovni.
Ao lado da esposa, ele observava os dois filhos brincando no quintal quando, ao olhar para cima, viu um objeto de formato retangular, com diversas janelas — cada uma emitindo uma cor distinta.
A cor dele era algo entre o cinza-escuro e o azul profundo. Ele ficou parado por cerca de cinco minutos, em total silêncio. Sem acreditar no que estavam vendo, o temor tomou conta do casal, que apenas observava o objeto.
Pouco tempo depois, o objeto executou movimentos para frente e para trás e, então, acelerou em alta velocidade, desaparecendo no céu. Nesse momento, o casal pegou as crianças e as levou para dentro de casa, com o intuito de protegê-las.
“Esse episódio permaneceu como um tabu familiar por anos. Apenas eu e minha esposa discutíamos ocasionalmente o ocorrido, sem comentar com outras pessoas”.
Essa foi a primeira experiência de Mayckon com ovnis. Ele conta que, diante da imensidão do universo, seria uma prepotência acreditar que os seres humanos são os únicos seres inteligentes. Depois de ver o objeto, sua crença apenas se fortaleceu.
Após 15 anos, durante um almoço de família, o assunto veio à tona. Para a surpresa de Mayckon, os filhos — já crescidos — lembraram-se com clareza do episódio e relataram todos os detalhes. Nesse momento, ele teve a total certeza de que aquilo não foi uma ilusão, e sim um fenômeno real.
Em 2018, 24 anos depois de ter o primeiro contato com seres extraterrestres, Valmor se viu pela última vez diante dessa espécie. Naquela noite, ele foi levado a um lugar desconhecido, talvez um deserto chileno ou peruano, como supôs ao observar o entorno árido.
Lá, três naves desceram. Delas saíram 21 seres, que surpreenderam Valmor por um motivo inusitado: eram praticamente idênticos a nós. Usavam roupas humanas, embora de estilo antigo, como saídas dos anos 1950. Vestiam-se com sobriedade e simplicidade. Estavam entre nós, mas eram de outro mundo.
Havia outros terráqueos no local, e uma voz feminina surgiu no ar, perguntando de onde vinham. A resposta foi inesperada: “somos da região do Cocheiro”. Valmor entendeu de imediato. Cocheiro é onde se encontra a estrela Capela, frequentemente mencionada em teorias espiritualistas como origem de parte da humanidade. Foi ali que ele compreendeu: estava diante de seres capelinos.
Mas o que realmente marcou aquele encontro foi o que veio em seguida. Quando a mesma voz perguntou o que aqueles seres vieram fazer ali, um deles se virou, apontou para Valmor e disse: “perguntem para ele. Ele estuda isso há 24 anos. Ele vai saber responder”.
A frase soou como um chamado. Para Valmor, foi o sinal definitivo de que era hora de compartilhar sua história com o mundo. Foi naquela noite que nasceu a semente do livro Um ET em Minha Casa. Um relato que não busca convencer ninguém, mas sim cumprir o papel que, segundo ele, lhe foi atribuído naquela noite no deserto.
Anos depois, em abril de 2024, Eder — já não mais um adolescente roqueiro, mas sim um homem com filhos para criar e contas para pagar — havia deixado seu menino na escola e estava no intervalo do almoço. Quando passou pelo bairro Primeiro de Maio, começou a olhar para o céu e viu um balão.
De início, percebeu que ele era cilíndrico e estava muito alto, a quase mil metros de altura, segundo sua percepção. O balão girava, subia e descia por um longo período, com uma movimentação bem reduzida.
Sem entender o que poderia ser, ligou para a esposa, Carol Scheuermann, e mostrou o que estava vendo. Também sem conseguir explicar, ela pediu para que ele gravasse um vídeo, pois o enviaria a um conhecido com conhecimentos ufológicos. Depois de receber a resposta, ele ficou surpreso por ter, mais uma vez, avistado um OVNI.
“O amigo disse o que poderia ser e até falou que já houve diversas aparições desse objeto em vários locais do mundo. Foi mais uma experiência marcante com vida extraterrestre que eu tive”.
Esta reportagem foi produzida na disciplina de Narrativas Multimídias II, do curso de Jornalismo da Univali, sob orientação do professor Vinicius Batista.