por Melissa Peixeira e Stefani Machado
Construída em 1907, a casa da rua Aníbal Gaya fez parte da vida da professora Paulina Gaya. Foi ali que ela morou. E foi ali, também, que ajudou a escrever uma parte importante da educação de Navegantes.
Paulina dedicou a vida ao ensino. Em uma época em que estudar não era fácil para todos, ela abriu as portas da própria casa para ensinar crianças e jovens da cidade.
A professora nasceu em Navegantes, em 28 de março de 1890. Foi aluna de Maria Carlota Vieira, conhecida como Sinhá Mestra, uma das primeiras professoras do município. Mais tarde, Paulina também se tornou referência na educação local.
Mas a história do casarão não parou nela. Décadas depois, o imóvel também fez parte da vida pública de Navegantes. Na década de 1960, a casa foi alugada para sediar a Prefeitura Municipal. No mesmo espaço, funcionava a Câmara de Vereadores, em uma sala pequena, com apenas sete cadeiras.
Para quem cresceu em Navegantes, a casa nunca foi só uma construção antiga. Ela sempre esteve ali, na paisagem e nas lembranças.
“Desde que eu era criança, essa casa sempre fez parte da paisagem e da memória da nossa gente. Lembro da dona Maria e do seu Quincas cuidando da casa com carinho, nas vezes que tive a oportunidade de estar lá, com seus netos, que são meus amigos de juventude”, relembra Ilva Maila.
A imagem de antes e depois mostra a passagem do tempo. Mas mostra também uma história que continua de pé.
Tombado como patrimônio histórico municipal, o Casarão Paulina Gaya é um dos marcos da história de Navegantes. O imóvel, de propriedade particular, pertence atualmente aos herdeiros de Maria Coelho Alves e passa por estudo para restauro e novos usos.
Preservar esse espaço é manter viva uma parte da identidade da cidade. É lembrar da professora, da antiga Prefeitura, da Câmara e das famílias que ajudaram a cuidar da casa ao longo dos anos.
“Como navegantina, eu entendo a importância de olhar para o futuro, mas respeito e prezo pela preservação da nossa história. Esse casarão carrega a memória de gerações, e restaurá-lo é manter vivo o legado de Paulina Gaya, da família Alves e a identidade de Navegantes para as próximas gerações”, afirma Ilva.