Poluição das praias e mares preocupa moradores da região e comunidade científica

IMG_1845

Mutirões de limpeza de praias acontecem regularmente enquanto cientistas estudam o impacto dos resíduos de plástico nos oceanos

Além das belezas naturais que temos o privilégio de apreciar todos os dias, sabemos que a natureza precisa da nossa atenção para sobreviver e continuar nos agraciando para prática de esportes e lazer. Desta forma comemorando o Dia Mundial  do Oceano, foi organizado um evento ecológico na Praia Brava, em Itajaí, patrocinado pela marca local Fico Surf Wear.

O evento, aberto à comunidade, aconteceu no Hike Brava, com aula de yoga, café da manhã, música ao vivo e teste drive de pranchas, fornecido pela FICO. O evento ainda contou com um mutirão de limpeza da praia liderado por Joba Farias, morador da Brava.

“Essa vontade veio por eu caminhar muito na praia e sempre ver muito lixo, principalmente ali próximo da restinga, que é um lugar que não podemos acessar, até porque grande parte dela está em reconstrução, porém em época de grande fluxo de pessoas, como na temporada, o pessoal acaba largando por ali, além do lixo que a maré traz  com as ondas mais fortes. Não só em prol do meio ambiente, mas a natureza é a nossa sobrevivência”, comenta Joba.

Outras empresas da região como a Simple Organic, Nalu Surf Club, Aspisurf, Blue House, Hike e Paradise Acai, também foram parceiros nesta ação em prol da natureza.

“A limpeza da praia é uma coisa que deveria ser inerente a qualquer pessoa que estiver passando pela praia. Tem um amigo nosso que diz assim: Se tu passou pela praia e olhou um lixo, ele é teu, não importa quem deixou, você viu, vai lá e joga no lugar certo”, afirma Gabriel Hodack, surfista e proprietário da Blue House Produções.

Hoje, o Brasil tem mais de 7.500 quilômetros de costa litorânea e apenas 7 praias possuem a certificação Bandeira Azul, sendo 5 delas em Santa Catarina: Praia Grande, Lagoa do Peri, Praia do Picarras, Estaleiro e Estaleirinho.

O Bandeira Azul é um  programa internacional de certificação para praias, marinas e embarcações, que tem como os principais critérios, os requisitos de qualidade e educação ambiental, segurança, bem estar e infra estrutura de apoio.

Apesar da Praia Brava não possuir esta certificação, nos últimos meses vem ganhando atenção pela comunidade. Eventos com estes, tem como objetivo elevar o grau de conscientização dos cidadãos e dos responsáveis diretos para a necessidade de proteger o ambiente e incentivar a realização de ações que conduzam à resolução e preservação do local. Bob Perez é proprietário do bar Hike Brava, e já aderiu o incentivo.

“Bom acho que como um bar nós temos a responsabilidade social de devolver um pouco para a sociedade que está em volta.
Geramos lixo pra caramba!! Antes nós geravamos o lixo de plastico, hoje  todo nosso material é biodegradável. Mas embora nós tenhamos reduzido a quantidade, temos que cuidar do que está em volta da gente”, comenta Bob.

Segundo  estudos da IO-USP (Instituto Oceanográfico da Universidade de São Paulo)  em parceria com a Plastivida (Instituto Socioambiental dos Plásticos) mais de 95% do lixo encontrado nas praias brasileiras é composto por itens feitos de plástico, como garrafas, copos descartáveis, canudos, cotonetes, embalagens de sorvete e redes de pesca. Na praia brava não foi diferente, boa parte do lixo encontrado foi o plástico e a bituca de cigarro, principalmente aquele vindo do mar, lixo talvez que nós nem enxergamos.

De acordo com estudos  da ONU, todos os anos, mais de 8 tonelados de plásticos vão parar nos oceanos. Segundo Isabela Prates representante da Simple Organic, hoje em dia temos o termo mar de plásticos, a tendência é que até 2050 se presuma ter mais plástico no oceano do que peixe, segundo pesquisas, não há nenhum ser da biosfera marinha que não tenha plástico ou microplástico dentro do seu organismo.

“Isso é uma cadeia né, as pessoas pensam, “isso não vai chegar nos humanos”, o microplástico pode vir das nossas roupas, das fibras de poliéster, elas saem pelos tubos na máquina de lavar, e como todo deságue incorreto, chega ao nosso oceano e assim por diante”, afirma Isabela.

Não só o plástico como microplástico está relacionado a poluição dos ecossistemas e alimentação da biosfera, inclusive da nossa. Qualquer uma das praias do mundo é considerada um porto de lixo, vindo do mar.

Indo mais a fundo

O plástico representa o principal tipo de resíduo encontrado nos oceanos, sua durabilidade é tão grande, que é utilizado como “indicador geológico” deste novo período em que vivemos.

Um projeto de extensão realizado pela oceanógrafa e professora Camila Burigo pelo programa de Ciência e Tecnologia Ambiental da Universidade do Vale do Itajaí – UNIVALI tenta entender como o plástico se comporta no meio ambiente oceânico, em suas diversas variações.  A ideia é mostrar que aquilo que nos enxergamos como lixo é apenas a ponta de um imenso iceberg.

Segundo Camila, o plástico se adere a outros poluentes como metais, fármacos e pesticidas de forma muito fácil, tanto na forma macro como a micro. “Através de um mapeamento e levantamento bibliográfico, estou fazendo coletas da água em diferentes locais, inclusive fora do Brasil, para entender um pouco deste comportamento e de que que forma ele é reportado ao longo do mundo”, comenta Camila.

Photo by picture alliance

Invisíveis, as partículas de plástico estão por toda parte, da água potável ao intestino humano. Possíveis soluções incluem plásticos biodegradáveis, banimento de itens descartáveis e tecidos feitos de fibras naturais.

O projeto ainda está em fase de análise, mas você pode acompanhá-lo pelo Instagram @aguavivaprojeto e @aguavivaprojeto no Facebook.

Movimento mundial contra o plástico

Um levantamento recente elaborado pela ONU Meio Ambiente, em parceria com o World Resources Institute (WRI), apontou que 127 países do mundo já têm leis com restrições ao plástico. Infelizmente, o Brasil ainda não é um deles.

Seja através da proibição total ou criação de taxas e impostos sobre o comércio e a distribuição de produtos fabricados com esse tipo de material, diversos governos estão mostrando que não há mais como fechar os olhos para o problema.

Poucos sabem mas Julho foi o mês escolhido para aderir ao movimento “Julho sem Plástico”, criado em 2011 na Austrália, atualmente participam mais de 12 milhões de pessoas de 150 países com o objetivo de diminuir o consumo do plástico e principalmente recusá-lo como forma de utilização única (descartáveis). Inclusive várias ONGs e associações lançam desafios sustentáveis para suspender o uso.

Toda pequena ação ela conta, desde aquela sacolinha que você nega no mercado, faz a diferença, porque o consumo existe, mas que seja consciente.

Destaques