São muitos os mitos que rondam a dieta vegetariana. “O ser humano é carnívoro e nasceu para comer carne”. “Ah, mas se eu não comer, os animais vão morrer de qualquer maneira”. “E os animais silvestres que vão morrer para plantarmos alface?”. “Aliás, alface não é um ser vivo também?”. Este último é até digno de riso.
Os mitos já começam pelas nomenclaturas. Os termos “vegetariano” e “vegano” são frequentemente confundidos, mas possuem significados completamente diferentes. Enquanto o vegetarianismo está mais relacionado à dieta constituída de alimentos de origem vegetal, os veganos levam isso para todas as áreas – como um estilo de vida – não consumindo nenhum tipo de produto de origem animal ou testado em animais – sejam eles alimentos, roupas ou cosméticos, por exemplo.

Ainda dentro do vegetarianismo, existem as dietas integralmente ou parcialmente baseadas em vegetais. Existem os ovolactovegtarianos, que não consomem carne, mas consomem leite, ovos e derivados. Há outros que cortam os ovos da dieta, mas mantêm o leite e derivados, os lactovegetarianos, e os ovovegetarianos, que consomem apenas ovos e vegetais. E existem os vegetarianos, cuja dieta é integralmente formada de vegetais.
Vegetariano há 5 anos, Raphael Silva, 31 anos, era o primeiro a perguntar quando seria o próximo churrasco no grupo de amigos. “Agora, pensando nisso, se alguém vier a mim e dizer que nunca podem se tornar veganos, sinto que sou a prova viva de que qualquer um pode abrir os olhos em um momento em suas vidas e fazer a escolha certa”. Assim como milhares de pessoas que aderem à dieta, a maior motivação para se tornar vegetariano foi pelos direitos dos animais. Com o tempo outros motivos surgiram, como a preocupação com a devastação ambiental causada pela indústria da carne. São muitos os motivos que levam milhares de pessoas a se tornarem vegetarianas. Em uma enquete online realizada com 395 vegetarianos, a grande maioria disse ter se juntado ao lado verde da força por compaixão aos animais. Outros aspectos que motivaram os vegetarianos foram meio ambiente, religião e saúde. Confira os resultados da enquete no infográfico abaixo:

Carência de nutrientes
Devido ao baixo nível de colesterol, a dieta vegetariana pode reduzir em até 32% as chances de ataque cardíaco, segundo um recente estudo britânico. Ainda assim, um dos principais mitos é a carência de nutrientes. Como em qualquer dieta convencional, a dieta vegetariana precisa de acompanhamento profissional de um nutricionista para evitar carências ou excessos nutricionais.

A nutricionista clínica Janete Tridapalli Duarte atua na área há 16 anos e comenta que tem notado o aumento na demanda de pacientes buscando uma dieta vegetariana em seu consultório, cerca de 30% das consultas. As dúvidas dos pacientes, geralmente, giram em torno de como melhorar a qualidade de vida através do vegetarianismo. “É como em qualquer outra dieta, onde o que eu tenho para fazer para melhorar a absorção, principalmente porque muitos que chegam já sabem dessa questão de melhora. Então, eles vem com essas dúvidas: onde querem encontrar as fontes do cálcio, da Vitamina B12, e se essas proteínas realmente são eficientes”.
Ainda segundo Janete, existem casos que exemplificam o perfil daquele paciente que já iniciou a dieta há muitos anos e sente que pode melhorar a alimentação. “Mas sempre surge novidade, e por isso procuram um profissional da nutrição”.
Bruna Waechter, 25 anos, é engenheira de alimentos e conta que sua transição foi bem longa. Parou de comer carne aos poucos, depois de refletir sobre os impactos ambientais do consumo da carne. Na época, procurou uma nutricionista e pediu pela prescrição de uma dieta ovolactovegetariana. “Me senti muito bem com a dieta, mas pesquisando mais e mais, me deparei com a questão ética do consumo de alimentos animais, e também com a questão espiritual e energética, que faz muito sentido pra mim”. Após se adaptar a uma mudança conturbada em um novo país, Bruna conseguiu se livrar completamente do consumo alimentos de origem animal e derivados. “Inventando novas formas de preparar as comidas que eu já comia antes, não foi difícil chegar ao meu grande objetivo que era ter minha dieta vegetariana estrita, ou dieta vegana”.
Mas e o cálcio, como fica?
Um grande mito acerca do vegetarianismo é a carência de cálcio. Janete apresenta alguns exemplos que são excelentes fontes de cálcio, acompanhados de uma série de nutrientes importantes para o metabolismo. “Os vegetais verde-escuros, como brócolis, couve e quiabo são grandes exemplos de fontes importantes para o metabolismo do cálcio, como potássio e a vitamina K. Leguminosas como lentilha, ervilha, grão-de-bico, feijões e até mesmo tofu são boas fontes, assim como melado de cana, completando uma lista de grande concentração de cálcio”.

Para quem pensa que vegetarianismo dá muito trabalho, Juliana Couto criou o blog Vegana Prática, onde publica receitas veganas rápidas e acessíveis. Com mais de 90 mil seguidores no Instagram, Juliana conta que o blog foi uma forma de armazenar as receitas enquanto aprendia a cozinhar vegetais, no começo da sua experiência vegana. “Foi criando uma dimensão maior que eu podia imaginar, e tive a oportunidade de aprender muitas coisas com a necessidade de trazer algo sempre novo para o blog”.
Para Bruna, o maior benefício do veganismo é viver de acordo com seus valores. “Acho que a maioria de nós hoje compartilha de valores de amor, compaixão, e principalmente respeito ao próximo. Quando começamos a refletir sobre alimentos de origem animal, dá um desconforto, porque no fundo percebemos que consumi-los significa apoiar uma indústria que mata e que abusa. No momento que me permiti aceitar essa realidade e fazer a mudança, me senti conectada com meus valores. Me senti feliz de estar de fato promovendo paz e amor”.
Pensando em se tornar vegetariano? A ONG Mercy for Animals disponibiliza um guia gratuito que pode te ajudar nessa transição.




