Como ampliar o acesso às tecnologias para a educação brasileira?

Sobre o que vamos falar?

Quando você estava no Ensino Fundamental, ou mesmo já no Ensino Médio, você tinha algum aparelho eletrônico ou o auxílio de meios tecnológicos no seu aprendizado? Se sim, você teve muita sorte. A tecnologia como um todo traz ótimas vantagens para a educação e fica cada vez mais evidente a sua necessidade no âmbito escolar. Afinal, vivemos em um mundo altamente informatizado e hiperconectado.

Um dos pontos para se discutir essa relação entre a escola e as tecnologias vem a partir de um novo conceito, a tal Educação 4.0. Mas o que é isso? Educação 4.0 é como se chama a quarta revolução industrial dentro do sistema educacional. Ela faz a junção do ensino com as diversas formas de tecnologia. Dessa forma, surge uma oferta variada de possibilidades tanto para o aluno quanto para o professor.

Contudo, para que a Educação 4.0 funcione e seja eficiente é necessária toda uma infraestrutura técnica bem pensada e profissionais que saibam lidar com isso. Portanto, podemos identificar inicialmente dois passos fundamentais para tirar o melhor proveito das tecnologias na educação: acesso às tecnologias, a partir de investimento público e distribuição de equipamentos e conexão à Internet; e formação docente, possibilitando que o processo se familiarize com as possibilidades tecnológicas e inclua práticas novas no seu dia a dia.

Esses dois pontos, inclusive, estão em leis e documentos que guiam as políticas públicas de educação no Brasil. O Plano Nacional de Educação (PNE), por exemplo, prevê a inclusão da tecnologia na educação básica, desde a compra de equipamentos até a formação do aluno e professor para o uso das tecnologias. Já a Base Nacional Comum Curricular (BNCC) prevê, na competência nº 5, a formação integral no aluno para o uso de tecnologias. Veja o que diz o texto:

“Compreender, utilizar e criar tecnologias digitais de informação e comunicação de forma crítica, significativa, reflexiva e ética nas diversas práticas sociais (incluindo as escolares) para se comunicar, acessar e disseminar informações, produzir conhecimentos, resolver problemas e exercer protagonismo e autoria na vida pessoal e coletiva.”

Pra te ajudar a conhecer melhor esse cenário, temos um material bem completinho. Você vai conhecer alguns dados sobre países que aplicam recursos tecnológicos na educação e qual a situação brasileira nesse cenário. Vai também ler o que pensam alguns especialistas da área sobre as dificuldades de implantação e ampliação da Educação 4.0 e de outros recursos. Mais pro final, tem uma lista de vários materiais pra você ler, ouvir e ver. Vamos junto!

Dados e Estatísticas

Confira abaixo alguns dados, estatísticas e números que vale a pena você prestar atenção e que ajudam a entender melhor alguns contextos sobre educação e tecnologia.

100%

A Coreia do Sul é um país desenvolvido que alcançou o marco de 100% da população alfabetizada. Lá a tecnologia e a educação andam juntas. O país aposta, e muito, na tecnologia dentro do sistema de ensino, tendo lousas digitais nas salas de aula, sistemas de livros digitais e outros recursos tecnológicos. Isso auxilia no aprendizado e desenvolve a autonomia do educador.

92%

Segundo os dados da pesquisa realizada pelo Cetic (Centro Regional para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação), em 2016, 92% das escolas declararam já dispor de infraestrutura para conectividade à internet. Contudo, a implementação da tecnologia nas escolas depende de fatores que vão além da infraestrutura básica e conectividade à rede Wi-Fi.

59%

É necessário também aspectos como cabeamento de rede de qualidade,  dispositivos de proteção contra surtos de energia (Nobreaks) e suporte de TI adequado. A mesma pesquisa revelou que 81% das escolas públicas contam com laboratórios de informática e recursos computacionais, mas apenas 59% fazem uso delas.

70%

Apesar dos esforços conjuntos para a implementação de TDICs (Tecnologias Digitais de Informação e Comunicação) nas escolas, um outro desafio tem se formado ao redor do objetivo de que todas as escolas estejam conectadas à Internet. Os educadores estão preparados? Em uma pesquisa da Fundação Victor Civita (FVC), em parceria com o Ibope Inteligência e o Laboratório de Sistemas Integráveis Tecnológico, em 2009, mostrou que 70% dos professores entrevistados sentiam-se pouco ou nada preparados para o uso da tecnologia na educação.

Competência

Nº5

A competência geral nº5 da Base Nacional Curricular Comum (BNCC) visa desenvolver nos estudantes a compreensão, utilização e criação das tecnologias de informação e comunicação de maneira crítica, reflexiva e ética. Dessa forma o estudante irá desenvolver sua comunicação, saberá acessar e disseminar informações, produzir conhecimento e resolver problemas em sua vida pessoal e coletiva. Para um desenvolvimento tão amplo do estudante não basta apenas ter os aparatos de TDIC. O sistema deve ser utilizado para que os alunos possam construir conhecimento sobre o uso das TDICs.

pior 🙁 

O Brasil é o segundo país com a menor quantidade de computadores por estudante na escola em um ranking de 79 países e territórios feito pela Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). De acordo com o levantamento, na classificação dos países pelo percentual de computadores nas escolas conectadas à internet, o Brasil aparece na 52ª colocação. Em ambos os rankings, o Brasil está abaixo da média entre todos os analisados: 23ª posição em número de computadores por estudante na escola e 41º em percentual de equipamentos conectados à internet. Os dados são do estudo “Políticas Eficazes, Escolas de Sucesso”, relatório feito a partir de dados do Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (Pisa)



O que dizem sobre o assunto?

Clique nos nomes que aparecem abaixo e descubra o que alguns pensadores, pesquisadores, educadores e profissionais da área pensam sobre a relação entre tecnologia e educação.

Jim Knight, ex-ministro da Educação e do Emprego do Reino Unido, é o atual chefe de educação no TSE Global. Segundo Jim, é necessário habituar os professores aos recursos. O ex-ministro comenta a importância do cuidado ao nível de acesso que as crianças têm com as tecnologias. Ele aponta que as escolas devem permitir ao professor o uso das diversas ferramentas que estão disponíveis em seu celular. Knight afirma que faltam estratégias para colocar as melhores tecnologias à disposição do professor, deixando-os presos aos métodos tradicionais.

“Para os professores, a importância de ter essas ferramentas nas mãos é extraordinária, mas muitos deles estão assustados porque não foram treinados em relação a isso. É uma grande falha que precisa ser revertida, tanto nas escolas quanto nos sindicatos de professores.”

Carlos Seabra é especialista em tecnologia educacional e coordenador de desenvolvimento da Zoom Education. A Zoom Education é um programa que desenvolve e implementa soluções educacionais inovadoras para o desenvolvimento de crianças e jovens. Para Seabra, as fases iniciais escolares exigem projetos que utilizam os conceitos de STEAM (acrônimo em inglês para as disciplinas Ciências, Tecnologia, Engenharia, Artes e Matemática) para criar o engajamento dos alunos. O especialista fala também da robótica como um caminho para chegar aos  estudantes do Ensino Fundamental.


“A robótica, por exemplo, integra diversas disciplinas e promove o aprendizado por meio da prática. A própria criança é responsável por desenvolver um projeto, estimulando o raciocínio lógico, a coordenação motora, criatividade e trabalho em equipe
.”

Mário Sérgio Cortella é um escritor, filósofo, palestrante e professor universitário brasileiro. Cortella tem um forte posicionamento quando o assunto é tecnologias na educação. Para ele, o jovem precisa de foco no mundo virtual ou na tecnologia. “Há um nomadismo informacional que pode nos levar desde a pluralidade de fontes, o que é positivo, até confusões quanto às informações que coletamos. Se o navegador tem clareza de onde quer ir, ele vai recolhendo em vários territórios o que será necessário para a sua jornada. Caso contrário, ele agirá como aquela frase do gato de ‘Alice no País das Maravilhas’: para quem não sabe aonde ir, qualquer caminho basta”, disse Cortella no Congresso Internacional CBL do Livro Digital em São Paulo.

“A geração anterior, de quem já tem mais de 30 anos, só se comunicava pelo telefone. Esta geração de crianças e jovens voltou a escrever – no Facebook, no Twitter, no WhatsApp, em blogs. A escola tem de aproveitar esta produção. Alguns até dirão que eles escrevem errado. Claro, todo mundo escreve errado antes de escrever certo. Podemos partir de uma escrita que não está no padrão para chegar à norma culta”

Escritor, filósofo e colunista da Folha de S. Paulo, Luíz Felipe Pondé fala em seu blog sobre os desafios das instituições de ensino na era digital. Atualmente, Pondé é vice-diretor na Faculdade de Comunicação e Marketing da Fundação Armando Álvares Penteado (FAAP) e professor da PUC São Paulo. Para o filósofo, a fórmula de emissor-conteúdo-receptor já não é mais eficaz no momento que o mundo vive hoje. “A tecnologia na educação é uma mídia, um meio, uma ferramenta, desde a invenção da imprensa por Gutenberg. Se tratando da tecnologia das mídias digitais, além de ser uma mídia, ela é uma mídia capilarizada, que tem uma plataforma interativa. Portanto, aquela fórmula clássica do emissor – conteúdo – mensagem – receptor, nas mídias digitais não é a mesma. Então, todo mundo é emissor e todo mundo é receptor. E isso, às vezes, causa o ruído característico de uma sociedade em rede como a nossa, que é barulhenta. Temos muito conteúdo disponível e, muitas vezes, dificuldade de fazer uma curadoria desse conteúdo. Por isso, no campo da educação, é necessário cuidado de curadoria no sentido de discernir melhor o conteúdo”, comentou o filósofo em entrevista para a Quero Educação.

“Portanto, aquela fórmula clássica do emissor – conteúdo – mensagem – receptor, nas mídias digitais não é a mesma. Então, todo mundo é emissor e todo mundo é receptor.”

Pierre Lévy é um pesquisador e filósofo francês que aborda diversos assuntos relacionados ao conceito de Cibercultura, que seria o modo de viver atualmente cercado por tecnologias digitais. Em relação às tecnologias e à educação, Lévy aponta que as mídias sociais são um espaço que podem ser aproveitados no processo de aprendizagem, desde que se saiba administrar esse processo. “Como professor, costumo dizer que para aprender com as mídias sociais é preciso ter gestão da atenção. Você precisa definir seus interesses e a especialidade que deseja adquirir, saber onde você está e para onde quer ir”, explicou Lévy em entrevista ao Globo Universidade. O filósofo acredita que novos modos de ensino, como a educação à distância, atrelada ao uso de ferramentas multimídia, pode ser um aprimoramento importante, principalmente ao permitir modos de avaliação e acompanhamento mais individualizados. Porém, Lévy ainda acredita que o mundo online não exclui o offline, e vice-versa. Deve, sim, haver uma integração dessas experiências.

“Não há tecnologia especial para aprender. A melhor tecnologia é o compartilhamento de conhecimento entre os estudantes. O aprendizado é algo que faz parte desta escola social”.

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ENTREVISTÃO: André Luís Raabe

O professor André Luís Raabe é doutor em Informática e tem pós-doutorado em Educação. Ele atua nos curso de graduação em Ciência da Computação e Engenharia de Computação, além de também lecionar no programa de Mestrado e Doutorado em Educação, no Mestrado em Computação Aplicada, todos da Universidade do Vale do Itajaí – Univali. Ele também coordena as ações do Lite is Cool e Rope, dentro do Lite (Laboratório de Inovação Tecnológica na Educação), da Univali.

Qual você acha que seria o impacto da maior implantação e uso de tecnologias nas escolas brasileiras e quais as principais barreiras hoje em dia para que isso ocorra?

Bom, eu entendo que o maior impacto seria um impulso para a inovação educacional apoiada no uso adequado de tecnologia. Isso é uma prerrogativa que a muitos anos se sabe que é possível. Alguns países fazem o uso mais eficiente da tecnologia, como o apoio a atividades educacionais. Os principais obstáculos estão sempre na formação dos professores, tanto a formação continuada quanto a formação inicial que inclua um pouco mais de tecnologia, para que eles possam fazer um uso mais fluente.

Como formar o professor brasileiro para que ele tenha capacidade e efetivamente use as tecnologias a seu favor na sala de aula?

Eu entendo que o principal aspecto que precisa ser adaptado em relação à formação do professor é que ele tenha mais acesso à prática e estágios de qualidade, que na sua formação ele tenha mais disciplinas relacionadas ao uso de tecnologia, mas, principalmente, que ele tenha mais exemplos vindos dos professores deles de como fazer um uso eficiente da tecnologia. Enquanto os formadores de professores não se tornarem fluentes, eles não vão formar professores fluentes.

Como a tecnologia na educação irá auxiliar na formação da próxima geração de profissionais brasileiros?

A tecnologia se torna cada vez mais fundamental. Hoje a tecnologia, informática e computação estão amplamente disseminadas na sociedade em muitas atividades cotidianas. Portanto, para poder exercer essa cidadania com plenitude, as pessoas precisam ter um conhecimento mínimo de tecnologia. Aqueles que puderem se desenvolver para criar tecnologias, tiverem os conhecimentos necessários para criar tecnologias associadas às suas atividades, vão estar na frente dos demais. 

Sabe-se que a tecnologia nas escolas vai além de tablets e computadores. Que outros meios tecnológicos são esses? Há projetos e escolas que já trabalham, por exemplo, com a robótica. Como essas diversas formas de tecnologia auxiliam no processo ensino-aprendizagem principalmente nos anos escolares iniciais? 

A tecnologia se torna cada vez mais fundamental. Hoje a tecnologia, informática e computação estão amplamente disseminadas na sociedade em muitas atividades cotidianas. Portanto, para poder exercer essa cidadania com plenitude, as pessoas precisam ter um conhecimento mínimo de tecnologia. Aqueles que puderem se desenvolver para criar tecnologias, tiverem os conhecimentos necessários para criar tecnologias associadas às suas atividades, vão estar na frente dos demais. O computador foi a primeira tecnologia da informática a ser introduzida nas escolas, mas hoje existem muitas formas de trazer atividades tecnológicas para dentro do ensino. Nos anos iniciais, existem alternativas que são mais adequadas para a faixa etária, atividades concretas, como robôs, jogos de tabuleiros, atividades enriquecidas por tecnologia com projetores e câmeras. São muito interessantes e com muito potencial para desenvolver outros tipos de percepções, outros tipos de aprendizagens, principalmente das crianças pequenas. A abordagem maker é uma abordagem que coloca a tecnologia de uma forma bem diferente. Ao invés de criar um laboratório de informática com computadores, se cria um espaço de criação utilizando recursos de fabricação digital, como impressoras 3D, cortadoras a laser e computadores para pesquisa e projetos. No geral, a principal mudança é metodológica, e não tecnológica. Ela passa por saber fazer o uso adequado e eficiente desses recursos tecnológicos. Então, quanto mais diversificados forem os recursos, melhor. 

De que maneira alunos e professores podem lidar com as tecnologias sem que elas dispersem o foco da aula?

A pergunta já parte do pressuposto de que a tecnologia dispersa, e realmente isso tem acontecido, principalmente porque a tecnologia se torna mais atraente ou é mais atraente do que a aula no formato tradicional. O problema não está na tecnologia, está na aula. Enquanto a aula for desinteressante e desconectada das necessidades e realidades dos estudantes, isso vai seguir acontecendo. Então, o que precisa ser feito é tornar a aula mais interessante e usar o celular na mão do aluno como recurso. Ele tem acesso a Wikipédia, internet, portanto ele tem possibilidade de fazer pesquisa. É preciso ensinar o jovem a fazer pesquisa, escolher fontes, filtrar conteúdos que não tem valor científico, usar as redes sociais a favor da aprendizagem e engajar os alunos em experiências diferentes que não se encerram nos 45 minutos de aula expositivas.

Você tem um projeto chamado RoPe, que é um robô que pode ser programado por crianças, quase que um brinquedo. Quais os principais benefícios de implementar no ensino infantil e fundamental brinquedos e brincadeiras que envolvam tecnologia e programação como o RoPe?

O projeto RoPe é um brinquedo de programar. Foi projetado para ser um brinquedo justamente para facilitar com que tanto professores quanto crianças integrassem ele no uso cotidiano da sala de aula. Ele traz muitos benefícios por conta de trazer a brincadeira para um ambiente que fala mais de lógica, de matemática, de conceitos fundamentais para a construção das funções cognitivas da criança. O RoPe aumenta a inteligência da criança tornando-as aprendizes mais eficientes, e isso é feito sem a necessidade de um computador ou levá-las para laboratórios e colocá-las na frente de telas. A gente investe cada vez mais no RoPe e vemos muito potencial nele, inclusive de pesquisas avançadas. 

Cada vez mais fica explícito a necessidade de profissionais na área da Tecnologia. Em 2020, segundo a empresa GeekHunter, o número de vagas na área da tecnologia cresceu em 310%, chegando ao ponto de ter muita oferta e pouca demanda. A iniciação à programação no Ensino Médio é uma maneira de suprir essa necessidade? Se sim, como mostrar para o jovem que aquilo além de interessante é importante para o seu futuro?

Esse “gap” no mercado de trabalho já existe há muitos anos e só vem aumentando. É uma tendência inequívoca. As pessoas que escolherem a área tecnológica terão um emprego e uma boa renda. A programação é uma atividade prática, é uma atividade que por si só exige uma série de conhecimentos e habilidades, mas não deve ser o fim. Eu prefiro que a gente ensine pensamento computacional, ensine a resolver problemas usando a programação como um recurso, mas não o único. Então, a resposta é sim, a programação é importante, pode trazer boas referências para os jovens e torná-los aptos para preencher essas vagas. Mas a programação deve ser usada em outras áreas do conhecimento, porque muitas profissões estão cada vez mais se aproximando do conhecimento de computação.

O Portugol é uma ferramenta online que ensina programação para iniciantes, voltada para pessoas que falam português. Usar ferramentas como esta é uma boa maneira de incentivar e ensinar jovens do Ensino Médio? 

Aqui na Univali desenvolvemos a ferramenta Portugol Studio, que é uma linguagem de programação em português que facilita muito para jovens que querem aprender a programar mas não dominam o idioma inglês. É uma ferramenta construída para iniciantes em programação. Construímos para ingressantes em cursos da área tecnológica, mas se adapta muito bem ao Ensino Médio. Nós apostamos nela como principal ferramenta para ser utilizada após uma abordagem de programação por blocos, como acontece em ferramentas como Scratch e Code.org.

Hoje a inteligência artificial já não é uma realidade distante, sendo na verdade algo bem presente no dia-a-dia. A iniciativa de implementar esse novo sistema nas escolas já é algo que se tem pensado. Como que a escola pode usar esse sistema a seu favor?

A inteligência artificial tem muito a auxiliar na educação, principalmente ajudando o professor a atender melhor uma quantidade maior de alunos, conhecer melhor esses alunos em períodos extraclasse e a receber sugestões de como melhor atender os estudantes. Não acredito que a inteligência artificial irá substituir o professor e também acho que o caminho da inteligência artificial para a área da educação está sendo superestimado. O tamanho do mercado e o número de aplicações que vão usar a inteligência artificial não é tão grande quanto se divulga.

A realidade aumentada é um meio de tornar, por exemplo o conteúdo do livro impresso mais próximo da realidade dos alunos ou de colocá-lo em experiências visuais que ele não teria acesso. De que forma pode-se trazer a realidade aumentada para o ensino público?

A realidade aumentada é uma tecnologia interessante. Ela, muito mais que um livro didático enriquecido, permite que a gente, através da simulação, faça ilustrações de aspectos que são muito difíceis de ilustrar. Por exemplo, o conteúdo de uma célula, o que acontece em uma explosão, ou ainda, o conteúdo do sangue de uma pessoa, além de outros elementos que podem ser enriquecidos. O potencial principal que eu vejo na realidade aumentada é poder ilustrar aquilo que é impossível ver. E, com isso, ela viabiliza a aprendizagem por simulação, que é um tipo de aprendizagem muito importante. Contudo, eu entendo que para isso ser aplicado em escala na educação básica nós precisamos de mais conteúdos elaborados e um mercado mais ativo na oferta desses conteúdos. Isso ainda é muito inicial.   

Pra Ouvir Ver Ler

Podcast: Porvir – Tecnologia na Formação Inicial

Esse é um episódio do podcast Porvir chamado Tecnologia na Formação Inicial. São 49 minutos, mas acredite, vale a pena. O
tema é bem debatido e interessante, trazendo a importância da tecnologia nas escolas. 

Livro: Tecnologias Digitais na Educação

Estão reunidos trabalhos de pesquisa de alunos/professores da 1ª turma do Curso de Especialização em Novas Tecnologias na Educação, da Universidade Estadual da Paraíba. O livro traz a importância da formação de professores e do compromisso com os avanços tecnológicos, que são hoje uma exigência do mundo moderno.

Entrevista: Tecnologia não é mágica

Aqui tem uma breve publicação, produzida pela TV Escola e pelo MEC, que traz uma entrevista ping-pong sobre tecnologia na educação com três especialistas diferentes.

Reportagem: 8 lições após um ano de ensino remoto na pandemia

Após um ano de pandemia, essa reportagem da BBC traça, a partir de estudos e pesquisas, aprendizados e questões que o ensino remoto trouxe para a área da educação. A tecnologia entra como fator primordial e traz boas reflexões para pensarmos.

Doc: Do Giz ao Tablet

Aqui tem um ótimo documentário chamado “Do Giz ao Tablet: por que a tecnologia não revolucionou a educação”. Aqui você vai ver o ponto de vista de pais e professores sobre como está a educação brasileira e o que eles pensam sobre o assunto.

Doc: A Educação Proibida

O documentário chamado A Educação Proibida questiona o sistema de ensino atual e procura trazer diferentes experiências educacionais. A Educação Proibida é um projeto desenvolvido por jovens que trazem a visão de ensino de 90 educadores de oito países diferentes.

Doc: Educação.doc

Este é outro documentário para você e se chama Educação.doc – Escola do futuro. O próprio nome já diz, mas caso fique dúvida, ele traz diferentes pontos de vista de como serão as escolas do futuro.

Doc: Inteligência Artificial

Este é um documentário da Discovery Brasil chamado Inteligência Artificial – IBM. Em uma hora e meia o documentário trata diversos temas acerca das IAs, seus benefícios e preocupações em torno da Inteligência Artifícial, mas vale prestar atenção no trecho em que é discutido o impacta na educação.

 
 
 

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