Na 36ª edição, visitantes que participam há décadas mostram como a festa continua sendo um espaço de memória e identidade para os moradores da cidade
Um momento para reunir a família, reencontrar os amigos e saborear a gastronomia local. Há 36 anos, a Marejada faz parte das lembranças do povo de Itajaí. Entre os frequentadores, há quem acompanhe a festa desde a primeira edição — e que, por meio de suas memórias, ajuda a contar a história e as transformações do evento.
Entre as mesas e corredores do Centreventos, o empresário Aldo Sandri observa o movimento enquanto come uma sardinha na brasa — prato que faz questão de saborear em todas as edições da Marejada. Ao lado da esposa, ele recorda que participa da festividade há muitos anos e que viu o evento crescer, mudar de espaço e ganhar novas atrações.
Aldo lembra que a Marejada passou por muitas mudanças desde as primeiras edições, especialmente na forma de organização e no público que participa. Ele comenta que, em alguns momentos, temeu que a festa se distanciasse das suas origens, mas avalia que, nos últimos anos, ela tem recuperado o espírito de convivência e amizade que o motivou a participar desde o início. Para ele, o evento voltou a cumprir o papel de reunir amigos e moradores em um mesmo ambiente — algo que, segundo ele, é o que sempre deu sentido à celebração.

Assim como ele, a professora aposentada e artesã, Rosete Pereira, faz parte do grupo de visitantes que voltam todos os anos. Acompanhada de sua amiga, conta que começou a frequentar a festa ainda jovem e que hoje soma mais de quinze participações. Para ela, uma das principais mudanças é o uso da tecnologia nas atrações e na estrutura da Marejada.
Rosete considera que as inovações desta edição, como os painéis de LED e os cenários para fotos, contribuíram para tornar a experiência do público mais atrativa. Ainda assim, aponta uma falha na nova estrutura: a área dos artesãos ficou menos visível e com pouca sinalização, o que, segundo ela e a amiga — ambas artesãs — dificulta o acesso dos visitantes. Apesar das críticas, Rosete avalia que, mesmo com as transformações ao longo dos anos, a essência da Marejada permanece a mesma: um espaço de conexão com a cidade e sua cultura.

As memórias de Aldo e Rosete se repetem entre os frequentadores que acompanham a Marejada há décadas. São pessoas que viram a festa se modernizar e ganhar novos formatos, mas que continuam voltando — seja para reviver o clima das primeiras edições, conhecer as novidades ou reencontrar amigos. Para eles, a festividade faz parte de uma tradição que ultrapassa gerações e fronteiras da cidade.
Na 36ª edição, a Marejada passou a contar com um novo modelo de gestão e reforçou o resgate da cultura açoriana, segundo o diretor executivo de Turismo, Diego Oliveira. Para ele, as mudanças vêm acompanhadas de um objetivo simbólico: “a ideia mesmo é resgatar um pouco desse orgulho de quem é de Itajaí, da nossa cultura peixeira, da nossa cultura portuguesa, que com o passar do tempo foi ficando para trás.”
A ideia de resgate também se reflete nas recordações de quem faz da festa uma tradição. Entre lembranças e novidades, o evento marca, há mais de três décadas, parte da história de Itajaí e de quem participa da festa. A Marejada segue reafirmando seu papel como uma das principais celebrações culturais da região.




