Aos 35 anos, a escritora Violeta Alves carrega em sua trajetória a capacidade de transformar dores profundas em ferramentas de mudança social. Moradora de Itajaí (SC), ela convive desde o nascimento com a osteogênese imperfeita, condição genética conhecida como doença dos ossos de vidro. Durante a infância e o início da adolescência, Violeta enfrentou os desdobramentos mais severos da patologia. Foram cerca de 80 fraturas registradas até os 13 anos, período marcado pelo uso contínuo de cadeira de rodas e pelos desafios diários impostos pela falta de acessibilidade e pelo preconceito no ambiente escolar.
A realidade começou a mudar por meio de um tratamento pioneiro e gratuito oferecido no Brasil, que deu início ao seu processo de reabilitação física. Com persistência, ela deixou a cadeira de rodas e, embora atualmente utilize o andador como ponto de apoio essencial para garantir segurança em sua rotina, superou os prognósticos médicos iniciais. Hoje, consegue permanecer em pé sozinha e caminhar pequenas distâncias.
Foi justamente nessa busca por autonomia que a literatura surgiu como refúgio e espaço de expressão. O que começou de forma despretensiosa, como desabafos registrados nas últimas páginas de seus fichários escolares, logo se transformou em poesia. Em 2020, ao ser contemplada pelo edital municipal Meu Primeiro Livro, publicou a obra O Sono das Plantas, reunindo produções escritas entre os 13 e os 30 anos de idade.
A sensibilidade de sua escrita ganhou projeção nacional com o segundo livro, Cartas para Saturno, desenvolvido durante o período de isolamento da pandemia. Composto por 64 poemas que abordam o luto e as transformações internas, o manuscrito foi um dos vencedores do Prêmio Carolina Maria de Jesus, destacando-se entre candidatas de todo o país.
Atualmente, Violeta divide seus dias entre a literatura e a atuação como consultora de acessibilidade. Trabalha diretamente com empresas e produtores culturais na implementação de recursos como audiodescrição e Língua Brasileira de Sinais (Libras), atuando na linha de frente do combate ao capacitismo.
Se, no passado, as salas de aula não souberam como acolhê-la, hoje Violeta Alves utiliza a própria história para humanizar estruturas urbanas e culturais, demonstrando que barreiras físicas e sociais podem ser superadas por meio de políticas de inclusão efetivas.
Esta matéria de perfil com retrato ambientado foi produzida na disciplina de Fotografia, do curso de Jornalismo da Univali, sob orientação dos professores Eduardo Gomes e Sarah Uriarte.