Por Ariele Oliveira, Bianca Luca, Ederson Senna, Juliet Paulino e Leni Cunha
Os recentes casos de violência, agressividade e morte de crianças trouxeram um alerta para o país. A grande parte dos casos acontecem dentro da própria casa, onde a criança deveria estar segura. Muitas vezes as agressões não causam traumas físicos ou morte, mas sim, danos psicológicos que podem afetar o desenvolvimento e crescimento da criança que sofre com a agressão. Muitas vezes a agressão acaba sendo normalizadas como forma de educar.
Somente no ano de 2020, segundo o Ministério da Mulher, Família e Direitos Humanos, foram registradas 95.247 denúncias, sendo uma média de 260 queixas de agressões físicas e psicológicas através do Disque 100. De acordo com a Sociedade Brasileira de Pediatria, em abril de 2021, cerca de 71% dos registros são decorrentes de violência física, 27% de violência psicológica e 3% são episódios de tortura.
A polícia tem autoridade para agir em qualquer órgão que seja denunciado, como as escolas de jardins de infância. Quando há uma denúncia anônima, a polícia primeiro investiga para ver se é verídico e quando o boletim é feito, na hora já é instaurado o inquérito. No caso violência familiar, a criança é retirada provisoriamente dos pais, que perder a guarda, caso o juiz determine. Se a mãe vem à delegacia fazer uma denúncia contra maus tratos de pai, ou padrasto, o boletim é feito na hora e a polícia instaura o inquérito contra o indivíduo, nesse caso o conselho tutelar trabalha junto..
É atribuição do Conselho Tutelar exercer toda e qualquer proteção em prol da criança e ao adolescente, exceto a retirada da guarda dos pais. O órgão deve ser acionado sempre quando uma criança ou adolescente está sendo privado de seus direitos ou deveres. Qualquer pessoa pode realizar uma denúncia, seja ela anônima ou não.
Em entrevista, o conselheiro tutelar, Eliezer Baptistoti Júnior, relatou que denúncias, a partir do momento que chegam ao Conselho são divididas entre os profissionais para que as medidas cabíveis sejam feitas. “Em todos os casos são tomadas as providências de modo urgente. Entretanto, os casos de violência sexual são os que tem mais prioridades. Vale lembrar que atualmente existem dois Conselhos Tutelares em Itajaí , um no Centro da cidade, e o segundo no bairro Cordeiros”, relatou Baptistoti.
O Centro de Referência Especializado de Assistência Social (CREAS) oferece acompanhamento psicossocial, orientação e encaminhamento com o objetivo de superação da condição de violência e ou violação. Existem sedes distribuídas por todo o Brasil.
“ Os técnicos desenvolvem junto ao indivíduo ou família um plano de ação com estratégias em áreas importantes como saúde, educação, cultura, renda, cidadania; a fim de fortalecer as formas de interação social e empoderamento para que a violação de direito possa ser superada. Ainda atua no encaminhamento aos órgãos de proteção a fim de garantir os direitos do violentados.”
Miriam Marcelino- Coordenadora do CREAS em Itajaí Tweet
Cleiton Marcos de Oliveira, é professor da Universidade Vale do Itajaí (Univali). Ele conta que a escola tem um importante papel nessa frente contra a violência e que é importante prestar atenção no comportamento da criança. Ela pode encontrar-se entristecida mediante práticas de bullying ou até mesmo violência doméstica. É papel da escola e de toda a sociedade denunciar estas possíveis humilhações psicológicas e físicas. São os adultos que podem auxiliá-las.
A educadora infantil, Vanessa Penteado, a violência dentro de casa pode vir a desencadear traumas que prejudicam o desenvolvimento, muitas vezes podem se tornar pessoas violentas. Uma criança que muda de comportamento ficando agressiva, alguma coisa acontece para que ela tenha uma mudança tão radical.
Elisiane Freitas é mãe, ela deu a sua opinião sobre a violência infantil e contou como acha que a escola deve ajudar os pais.
As marcas deixadas na criança e adolescente que sofre com a violência são presentes e notáveis. Além de marcas físicas, elas sofrem principalmente com as marcas emocionais. Passar por isso dentro de casa, ou com pessoas de confiança fora dela, prejudicam ainda mais, causando distorção da autoimagem e do conceito do que é amor e segurança, a maneira de interpretar e transmitir suas emoções para as pessoas. A psicóloga Tatiana Costa CRP 12/04454 compartilha sobre os principais transtornos deixados na vida da vítima através desse áudio que você acompanha ao lado.