Plástico de descarte é adicionado a mistura de blocos de concreto para construção de calçadas
Quem chega à praça instalada e mantida pela Damay Café e Confeitaria, em Barra Velha, Santa Catarina, não sabe, mas, caminha sobre uma calçada sustentável. O passeio que contorna o terreno é feito com paver, pequenos blocos de concreto pré-moldado, que tem de 25% a 30% de plástico de descarte misturado na sua fabricação. O plástico vem das boleiras, embalagens usadas no transporte dos bolos fabricados pela confeitaria.
Felipe Oliveira, responsável pela Eco Local atividades ambientais, idealizador do projeto, feito em parceria com a Damay, explica que sustentabilidade é dar um novo destino a algo que iria para o aterro sanitário e era isso que eles estavam buscando para esse material. Ao contrário do PET e do papelão, o plástico das boleiras não tem valor comercial nenhum e não gera interesse por parte dos recicladores.
Antes e depois: blocos prontos para a instalação… …e calçamento pronto (Fotos: Felipe Oliveira – Eco Local)
Felipe já recolhia as boleiras, cerca de 800 kg/mês, com intuído de dar uma nova função para elas. Foi quando surgiu a necessidade de calçar o terreno, que foi transformado em praça, e, com isso, a ideia de usar as embalagens moídas na mistura do paver.
Fernanda Corbani, analista de marketing da Damay, fala que foi preciso contar com a ajuda dos cerca de 200 parceiros que revendem os bolos e usam e armazenam as embalagens. Eles enviam elas novamente para a confeitaria fazer a limpeza. Livre de resíduos orgânicos, o material passa por dois trituradores em uma terceira empresa e, depois, é encaminhado para a fábrica de pavers. Todos os envolvidos no processo são de Barra Velha, o que facilita a logística da produção.
Boleiras depois da limpeza Resultado da moagem Paver pronto (Fotos: Ana Baticini)

(Foto: Ana Baticini)
Apesar de usar um material de descarte na fabricação do paver, que diminui o uso de matéria prima, Daniel Massarolo, proprietário da Damay, conta que o custo da calçada foi cerca de 7% a mais do que se fosse feito com um paver normal. Isso porque é um projeto inovador, que gera custos no desenvolvimento do produto. Com o tempo, deve se tornar mais barato, acredita ele.
Mesmo assim, o empresário considera esse, que é o primeiro programa de sustentabilidade da empresa, um grande início. “Vai gerando uma consciência em todos os setores e até mesmo nos colaboradores”, afirma Daniel.
Felipe, da Eco Local, explica que, futuramente, todas as empresas precisarão ter gestão ambiental e, com isso, a confeitaria já saiu na frente. Dar um destino sustentável para o lixo é uma forma de diminuir o impacto causado pela atividade empresarial. Para ele, “o lixo dá dinheiro” e muitas famílias são sustentadas pelo material reciclável. Ele acredita que outras empresas, sabendo da instalação dessa calçada, também irão procurar maneiras de reutilizar os resíduos. É possível usá-los para a produção de diversos produtos, como as lixeiras instaladas na praça, produzidas com outros materiais de descarte.
Mas ainda estamos longe do ideal. Mesmo com a Politica Nacional de Resíduos Sólidos, criada em 2010, o Brasil recicla pouco, gera muito lixo e não investe em coleta seletiva. É o que aponta um estudo feito pela Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais – Abrelpe. Barra Velha é uma dessas cidades que não tem coleta seletiva e esse serviço depende da iniciativa privada. Para Felipe, “falta interesse público”. Enquanto isso, estamos jogando dinheiro no lixo e lixo no meio ambiente.
