Por Rafael Alves e Saulo Philippe
A Ressacada nem sempre foi o que é hoje. Quando o Avaí saiu do antigo Adolfo Konder, lá no Centro, e veio pro Sul da Ilha, em 1983, o cenário era outro. Pouca coisa em volta, muito verde, área de mangue e um estádio surgindo onde quase ninguém imaginava que um dia teria esse movimento todo.
A mudança veio junto com uma troca importante: o terreno do antigo estádio virou o que hoje é o Beiramar Shopping, enquanto o Avaí ganhou espaço pra construir a nova casa no bairro Carianos. Na época, o estádio nem tinha nome oficial, mas “Ressacada” já era como todo mundo chamava, por causa do tipo de terreno da região. O nome Aderbal Ramos da Silva só veio depois, em 1985.
De lá pra cá, muita coisa aconteceu ali dentro. Final de estadual lotada, recorde de público, jogo grande, show internacional. A Ressacada cresceu junto com a cidade, e o que era afastado virou parte importante de Florianópolis, com mais acesso, mais movimento e outra cara.
Hoje, olhando as fotos atuais, dá pra ver um estádio bem mais estruturado, com setores cobertos, camarotes e melhorias ao longo dos anos. Pra quem frequenta, isso é visível, mesmo que nem sempre seja algo que salte aos olhos.
Otávio Gonçalves, de 22 anos, é um desses torcedores que vive a Ressacada de perto. Para ele, a estrutura coloca o estádio entre os melhores do estado, mas não é isso que mais pesa.
“Desde o primeiro jogo que eu fui sozinho, parece que nunca vira rotina. É sempre diferente. O jogo é sagrado”, conta. “A Ressacada é tipo a nossa igreja.”
A fala dele ajuda a entender uma coisa que foto nenhuma mostra sozinha: o que o estádio significa pra quem tá ali todo jogo.
Ao mesmo tempo, nem tudo acompanha essa evolução. Chegar até a Ressacada ainda é um dos principais problemas, principalmente pra quem depende de ônibus. “A mobilidade é o pior desafio”, resume.
Ele também percebe uma mudança no comportamento do torcedor nos últimos anos. Segundo Otávio, o momento do clube acabou afastando parte do público. “Tem gente que deixou de ir. Antes não importava tanto, o pessoal ia mais. Hoje já não é assim.”
Mais de 40 anos depois da inauguração, a Ressacada segue como um dos principais símbolos do Avaí. Após mudanças estruturais, crescimento da região e diferentes gerações de torcedores, o estádio mantém algo que não mudou com o tempo: o sentimento de pertencimento.