por Érica Guckert e Priscilla Gomes
A Ponte Hercílio Luz é um dos principais símbolos de Santa Catarina, localizada na capital catarinense, Florianópolis. Considerada a maior ponte pênsil do Brasil, assinada pelo americano David Barnard Steinman, com 821 metros de extensão, a estrutura é patrimônio histórico tombado da capital e completa 100 anos no dia 13 de maio de 2026.
Inaugurada em 1926, é a mais antiga das três ligações entre a ilha e o continente de Florianópolis, tendo papel fundamental no desenvolvimento e na integração da cidade ao longo do último século.
OBRA TRILIONÁRIA
As obras da ponte começaram em 1922, durante o governo de Hercílio Pedro da Luz, idealizador do projeto. A estrutura surgiu como solução para integrar definitivamente a ilha ao continente, já que até então o deslocamento era feito apenas por embarcações, o que limitava o desenvolvimento da região.
A construção da infraestrutura custou mais de 14,4 milhões de contos de réis, dinheiro que saiu tanto dos cofres do estado quanto da União. Não há como cravar um número exato, mas em valores atuais, a ponte custaria em torno de R$ 1,7 trilhão.
Ao longo do tempo, a ponte teve papel fundamental na expansão urbana e econômica de Florianópolis. No início, o tráfego era composto principalmente por pedestres, veículos de tração animal e autobondes. Com o crescimento da cidade, passou a suportar um fluxo cada vez maior de veículos, tornando-se essencial para a mobilidade.
MANÉZINHO
João Sebastião de Almeida, 74 anos, é daqueles que carregam a história de Florianópolis na própria memória. Nascido e criado no Norte da Ilha, ele viu a cidade mudar ao longo das décadas. Ele conta que, quando era criança, atravessar para o continente ainda era uma aventura que misturava curiosidade pela grandiosidade da estrutura.
“A gente olhava pra ponte e parecia coisa de outro mundo”, relembra. Com o passar dos anos, João viu o crescimento da cidade, o aumento do movimento e até o fechamento da ponte, em 1982, um momento que, segundo ele, marcou a capital.
Durante o longo período em que a ponte ficou interditada, João diz que sentia falta não apenas da ligação física, mas do significado que ela carregava. “Não era só passagem… era como se fosse um símbolo da gente”, afirma.
A reabertura, em 2019, foi vivida com emoção. Já avô, ele fez questão de levar os netos para conhecer de perto o que, por tantos anos, fez parte da sua vida. Para João, mais do que uma obra de engenharia, a ponte é um marco afetivo. “Pra mim, a Hercílio Luz é sinal de que estou em Floripa. “Quando vejo ela, sei que cheguei.”
Ao completar 100 anos em 2026, a Ponte Hercílio Luz reafirma sua importância como obra de engenharia, patrimônio cultural e elemento central da identidade catarinense.